O salto que faltava ao RISC-V começa a aparecer: a Canonical passou a disponibilizar imagens oficiais de Ubuntu Desktop para a arquitetura, algo que até aqui vivia em builds oficiosos e pouco documentados. Como detalha o 9to5Linux, esta estreia acontece com o Ubuntu 26.10 Stonking Stingray e vem acompanhada de uma imagem Xubuntu Minimal não suportada oficialmente.
Na prática, quem tiver um computador RISC-V vai poder correr o mesmo Ubuntu de secretária que hoje instala num portátil x86 ou ARM, a partir da versão 26.10 que sai na próxima semana, a 15 de outubro. Até agora havia builds diários meio escondidos, mas faltava o selo público da Canonical. Do lado Xubuntu, a imagem é assumida como experimental e pensada para cenários mais limitados, com o ambiente leve Xfce.
A própria Canonical explica que a variante Xubuntu existe por uma razão pragmática: sob emulação, um sistema Xfce minimal é bem mais manejável do que um GNOME completo. O aviso também vem sublinhado, cita o 9to5Linux: estas imagens são experimentais, não têm suporte oficial, há bugs conhecidos e os relatórios de problemas no Launchpad são bem-vindos. Ou seja, isto ainda é terreno para curiosos e developers, não para instalar no PC de trabalho.
Para já, a Canonical recomenda que o Ubuntu Desktop para RISC-V seja testado em hardware SpacemiT K3, placa que terá suporte oficial na 26.10 e para a qual existe já um guia de instalação detalhado no site da empresa. A notícia também aponta o SiFive HiFive Unmatched como outra máquina suportada, embora aqui o setup peça mais mão na massa: é preciso injetar manualmente no ISO um bootloader de primeira fase como o U-Boot e os Device Tree Blobs relevantes antes de arrancar em metal real.
O objetivo declarado da Canonical é entregar uma experiência de desktop completa em RISC-V, sobretudo em hardware compatível com o perfil RVA23 como as máquinas Milk-V Jupiter 2 Mini-ITX, DeepComputing DC-ROMA e SpacemiT K3 Pico-ITX. A distribuição deverá chegar com GNOME 51 por omissão e com o kernel Linux 7.3, tal como já se sabia quando a versão 26.10 entrou em beta, algo que já analisámos em detalhe no artigo sobre o Ubuntu 26.10 em fase beta.
Nas contas de quem acompanha o tema, isto não vai pôr um portátil RISC-V nas prateleiras portuguesas daqui a seis meses, mas muda a conversa. Ter Ubuntu Desktop oficial e um Xubuntu Minimal, ainda que sem suporte, significa que o stack clássico de Linux de secretária começa realmente a aterrar em RISC-V, não só em demos académicas. O próximo passo é óbvio: mais sabores de Ubuntu, mais distros e, quando o hardware ficar menos exótico, começar a discutir RISC-V na mesma frase em que hoje se compara x86 com ARM. Se o software estiver pronto antes do hardware, pela primeira vez não é o Linux que fica a atrasar o comboio.
Fonte: 9to5Linux
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