Quase toda a gente que usa Linux no dia a dia vive com a mesma meia dúzia de comandos. cd, ls, grep, tail, mais meia dúzia de aliases e está feito. O resto da caixa de ferramentas fica a ganhar pó. O How-To Geek foi recuperar três comandos que já estão no teu sistema e que resolvem dores bastante comuns: tac, shuf e timeout. E nenhum exige cursinho de man pages para entrar na rotina.
Comecemos pelo mais simples: tac. É literalmente cat ao contrário, tanto no nome como no que faz. Em vez de despejar um ficheiro linha a linha de cima para baixo, mostra tudo de baixo para cima. O uso típico é óbvio: logs. Em vez de fazeres um tail -n 50 e depois andares a combinar filtros, podes virar logo o ficheiro todo com tac /var/log/alguma-coisa.log e canalizar isso para um grep. As linhas mais recentes passam a aparecer primeiro, que é o que normalmente interessa quando algo correu mal há instantes.
O segundo comando, shuf, é para quando a ordem importa pouco ou nada. Baralha linhas. Ponto. Podes dar-lhe um ficheiro com uma lista de tarefas e pedir só três ao acaso, com algo como shuf -n 3 tarefas.txt. Ou gerar números aleatórios com shuf -i 1-100 -n 5, útil para testes rápidos em scripts ou para criar amostras de dados sem teres de abrir Python só para isso. Segundo o How-To Geek, este comando está presente praticamente em qualquer distribuição Linux popular, mas quase ninguém se lembra que existe.
O terceiro merece respeito: timeout. A função é mais séria. Corre um comando e mata-o ao fim de X tempo se ele não acabar sozinho. A sintaxe típica é do género timeout 10s comando-qualquer ou timeout 2m script-lento.sh. Isto evita processos presos a meio, scripts mal comportados ou comandos remotos que ficam eternamente à espera de resposta. É especialmente útil em automações, em servidores ou em situações em que não podes ficar à espera a olhar para o terminal a decidir se carregas em Ctrl+C. É uma daquelas ferramentas que só faz falta a sério no dia em que não está lá.
Estes três comandos vivem naquele território estranho do Linux: não são avançados, não são obscuros, estão em praticamente todas as distribuições e mesmo assim passam anos ignorados. A própria comunidade tem alguma culpa. Entre discussões sobre qual a melhor distro para começar, se o desktop mais parecido com o Windows é o Zorin ou o Mint, e elogios às quatro coisas em que Linux continua claramente à frente do Windows, perde-se tempo com temas grandes e ignora-se o arsenal de pequenos utilitários que realmente aceleram o dia a dia.
A moral é simples: não precisas de aprender cinquenta comandos novos, só de ir pescando alguns que resolvem problemas muito específicos. tac para veres primeiro o que acabou de acontecer, shuf para baralhar linhas e gerar amostras rápidas, timeout para manter scripts na linha. Decoram-se em segundos, não exigem manuais e encaixam em qualquer distribuição que consigas instalar num portátil velho ou numa das tais distros ultraleves que já andam a deixar o Linux Mint para trás. Há comandos mais glamorosos, mas são estes que te salvam quando o terminal é a única interface que interessa.
Fonte: How-To Geek
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