CIêNCIA

Tesla marca 1 de outubro para revelar o Roadster que nunca chega

Nove anos depois do conceito, o novo Roadster ganha data de apresentação. Depósitos europeus de 43.000€ continuam presos num carro que ainda só existe em promessas.

Tesla marca 1 de outubro para revelar o Roadster que nunca chega

Nove anos depois de mostrar o protótipo e seis depois da data de produção prometida, a Tesla decidiu finalmente pôr um dia no calendário: 1 de outubro. É quando o chamado “next-generation Roadster” será revelado outra vez. Desta vez como quê, não se sabe. Carro próximo de produção ou mais um conceito fotogénico.

É o primeiro compromisso concreto desde novembro de 2017, quando Elon Musk subiu a palco, tirou o pano ao Roadster e falou em entregas para 2020. Pelo meio, as metas deslizaram para 2022, depois para um futuro sempre “quase lá”. Entretanto, ninguém no mundo recebeu um único Roadster. O que não impediu a marca de recolher depósitos bastante reais.

Na Europa, reservar um Roadster custa 43.000€. Quatro mil entram no cartão, trinta e nove mil por transferência bancária, pagos em dez dias. Nos EUA, o esquema é semelhante: $5.000 iniciais, depois $50.000, com a série Founders a pedir $250.000 logo à cabeça. Este dinheiro tem circulado há anos sem produto à vista, num padrão que lembra demasiado financiamento sem chamar-lhe assim.

O novo teaser mostra pouco mais do que um conjunto de luzes traseiras e quatro círculos no tejadilho, possivelmente ligados aos tais “cold gas thrusters” em versão SpaceX que Musk anda a prometer. A imprensa americana fala em duas versões: uma supostamente capaz de “voar” e outra homologada para estrada. A Tesla não confirmou nenhuma. O cenário em que uma das versões é basicamente um número de circo demonstrado à distância não é descabido. É, aliás, descrito quase assim: demasiado barulho e força para o fazer em pessoa.

Mais preocupante que a pirotecnia é o rasto de histórias em torno dos depósitos. Marques Brownlee, um dos criadores de tecnologia mais influentes, cancelou a reserva ao fim de oito anos e, num primeiro momento, perdeu $5.000. A Tesla lá devolveu o dinheiro depois, mas o processo passou por números de telefone e caixas de voicemail dignos de operadora antiga. Sam Altman, o homem da OpenAI, também pediu o reembolso. Tudo isto enquanto a empresa já lida com escrutínio regulatório noutros frentes, como se viu com o Cybercab em teste e sob investigação.

A data de revelação chega ainda em má fase para a Tesla na Europa. As matrículas da marca caíram 17% em janeiro, num mercado de eléctricos a crescer 14%. Um carro de halo como o Roadster serviria para puxar a imagem da marca. Mas um halo que se compra com 43.000€ adiantados e que nunca se materializa torna-se rapidamente um problema reputacional. O único travão sistémico pode estar no direito europeu do consumidor, que abre caminho a reaver pagamentos quando um profissional não cumpre. Falta testar em tribunal se uma “reserva” deste tipo se aproxima mais de um contrato de compra ou de um donativo para o marketing de Elon Musk.

Fonte: The Next Web

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