Tensor G6 e Titan M3: o que muda mesmo nos novos Pixel 11
Google estreou o Tensor G6 e o chip de segurança Titan M3 com criptografia pós-quântica nos Pixel 11. No papel soa pesado, na prática vem com um grande asterisco.
Google estreou o Tensor G6 e o chip de segurança Titan M3 com criptografia pós-quântica nos Pixel 11. No papel soa pesado, na prática vem com um grande asterisco.
A família Pixel 11 chega com dois protagonistas de silício: o conhecido Tensor G6 e o discreto Titan M3, um coprocessador de segurança que já fala a linguagem da criptografia pós-quântica definida pelo NIST (National Institute of Standards and Technology). É o primeiro telemóvel da Google a cumprir estes requisitos, e isso importa mais para os dados que alguém já roubou hoje do que para o PIN que escreves amanhã.
O Titan M3 trata do arranque seguro “quantum-safe” e executa o Trusty, o ambiente de execução fidedigno da Google, em todos os quatro modelos. A empresa diz que a certificação Common Criteria está ao nível de cartões SIM e cartões bancários. Traduzido: o chip é desenhado para aguentar ataques longos e teimosos, não apenas o ladrão que te leva o telemóvel no metro. O alvo real são bases de dados inteiras a serem copiadas agora para, no futuro, serem abertas quando existir um computador quântico suficientemente capaz, o tal cenário “harvest now, decrypt later” que a indústria já assume como inevitável.
Há aqui um detalhe político por trás da engenharia. Do lado dos EUA, a Casa Branca apontou 2028 como meta para um computador quântico “útil”. Pode ser optimista, mas quando governos marcam datas, fornecedores deixam de poder fingir que o risco é abstrato. Para quem vive na UE, com RGPD e regras cada vez mais duras sobre retenção de dados, este tipo de movimento da Google acaba por pressionar bancos, operadoras e até o Estado a pensarem na sua própria migração para esquemas pós-quânticos. Um Pixel 11 não resolve o problema, mas é um sinal público de que o relógio já começou a contar.
No lado mais mundano, o Tensor G6 cumpre o guião habitual de geração nova. A Google fala em 25% de navegação mais rápida e 15% de arranque de apps face ao Tensor G5, com até 20% de eficiência energética adicional, precisamente o calcanhar de Aquiles dos Tensor anteriores. A TPU tem 50% mais capacidade de computação e mais largura de banda de memória, o que alimenta o Gemini Nano no próprio aparelho e funcionalidades de câmara como o 120x Pro Zoom nos modelos Pro, vídeo retrato em 4K e um Instant Night Sight que promete captar até 4,5 vezes mais depressa.
Na teoria, isto casa bem com a aposta da Google em pôr o Gemini em todo o lado, do relógio a que já chamámos apenas “quase igual” ao anterior até a este Pixel 11 que, mesmo com novo silício, continua a parecer mais um ajuste do que um renascimento de gama. O processador dedicado permite ao Gemini Nano fazer trabalho de fundo até 3,5 vezes mais rápido e com 3,5 vezes menos energia. Soa bem, mas fica por provar até que ponto estas melhorias se notam no dia-a-dia fora dos demos em palco.
Falta o elefante na sala: a Google continua sem revelar processo de fabrico nem configuração de núcleos, e os Tensor mantêm-se atrás de Qualcomm e Apple nos benchmarks clássicos. Nada do que foi anunciado indica uma inversão dessa hierarquia em 2026. E os preços começam agressivos para hardware que não lidera nas tabelas: o Pixel 11 arranca nos $899 (~825€), o Pro nos $1.099 (~1.010€) e o Pro XL nos $1.299 (~1.200€), ainda sem preço europeu confirmado. Para quem está em Portugal, onde os Pixel continuam ausentes dos canais oficiais e chegam sobretudo importados, isto torna o argumento da criptografia pós-quântica um luxo interessante, mas longe de ser razão suficiente para ir a correr atrás de um.
Fonte: The Next Web
Comentários · 0