SpaceX quer pôr um super-rack Nvidia em órbita já para o ano
Musk promete lançar um sistema Vera Rubin NVL72 para o espaço em 2027 e escalar a constelação em 2028. A física deixa, a execução é outra conversa.
Musk promete lançar um sistema Vera Rubin NVL72 para o espaço em 2027 e escalar a constelação em 2028. A física deixa, a execução é outra conversa.
Elon Musk quer levar um datacenter inteiro para o espaço. Literalmente. O dono da SpaceX disse na X que, em parceria com a Nvidia, vai lançar para órbita no quarto trimestre do próximo ano um sistema Vera Rubin NVL72, um daqueles racks superdensos de IA, com ambição declarada de chegar a “escala significativa” em 2028.
Do lado da Nvidia, o discurso é ligeiramente menos bombástico, mas vai no mesmo sentido. Num comunicado, a empresa explica que os satélites de datacenter da SpaceX serão baseados no sistema de rack NVL72, que junta 72 GPUs Rubin e 36 CPUs Vera, mais NICs ConnectX-9 e DPUs BlueField-4, distribuídos por 18 bandejas de computação e nove de comutação NVLink. Cada rack pesa cerca de 1.800 kg, ou seja, o equivalente a uma carrinha de caixa aberta.
Em termos de foguetes, isto não assusta a frota da SpaceX. Um Falcon 9 coloca até 22.800 kg em órbita baixa, e a carenagem de 13,1 metros de altura e 5,2 metros de diâmetro acomoda vários racks MGX da Nvidia, com cerca de 2,3 metros de altura e pouco mais de 1 metro de profundidade. Tecnicamente, enfiar um punhado de NVL72 lá dentro é coisa relativamente banal para quem já lançou mais de 100 missões Falcon 9 por ano e anda a abrir crateras com estágios na Lua, como a própria NASA mediu no nosso acompanhamento da saga Starship e Falcon.
O problema não é tanto lançar, é operar. Cada rack destes consome 120 kW e requer arrefecimento líquido. A SpaceX publicou uma página a descrever o conceito de satélite-datacenter, com painéis solares de 210 kW e radiadores líquidos a deitar calor para o vácuo, aproveitando a experiência em operar naves em órbita. Em teoria, fecha-se a conta energética. Na prática, estás a meter hardware hiper-denso de IA num ambiente cheio de radiação, com ciclos térmicos violentos e um orçamento de massa em que cada parafuso conta.
É aqui que entra o termo vago “space-optimized” que Musk atira e a Nvidia repete. Ninguém detalha se isto significa apenas endurecimento contra radiação e reforço mecânico para sobreviver ao lançamento, ou se há cortes sérios no número de nós, ligações NVLink e redundâncias para caber no envelope térmico e de potência de um satélite. Como ainda não existe nenhum destes satélites construído, neste momento estamos mais perto de um render ambicioso do que de um produto em validação ambiental.
Musk tem um histórico curioso: as empresas entregam feitos que a concorrência não arrisca, mas as promessas de calendário valem pouco. Carros totalmente autónomos “para o próximo ano” há quase uma década, colónias em Marte que continuam em PowerPoint, e por aí fora. Lançar um NVL72 para órbita até é plausível do ponto de vista de massa e energia, e 2027 não é um prazo absurdo. Falar em constelações de satélites-datacenter em “escala significativa” já em 2028 é outra coisa. Se virmos um único rack destes a funcionar em órbita, com uptime digno de um datacenter terrestre, já será um passo grande. Transformar isso numa infraestrutura planetária de IA em dois anos é mais Musk a falar do que engenharia pronta.
Fonte: The Register
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