A Google pôs preto no branco o que já vinha a fazer há anos: cada Chromebook, Chromebox e Chromebase tem agora uma data de morte oficial para atualizações. O calendário Auto Update Expiration passa a fixar 10 anos de suporte para todas as plataformas ChromeOS, mas quem tiver máquinas anteriores a 2021 pode ter de escolher entre segurança e funcionalidades.
Na teoria, a nova política é generosa: 10 anos de updates de sistema, correções de segurança, patches de bugs e novas versões do Chrome. A cada duas semanas, a Google testa o software com fornecedores de componentes, de processadores a módulos Wi‑Fi, para garantir que tudo continua a funcionar. No dia em que a plataforma do teu Chromebook faz 10 anos, as atualizações param. Fica o verified boot para detetar alterações maliciosas e tentar auto‑reparar, mas o resto congela: sem novos patches, sem novas versões do browser, sem suporte técnico e com políticas empresariais a deixarem de se aplicar como previsto.
O problema é o hardware que já vai a meio da década. Como conta o MakeUseOf, os equipamentos lançados antes de 2021 só chegam ao fim destes 10 anos se entrarem num regime de Extended Updates, e aí a fatura é clara: perdem acesso à Play Store e às apps Android. A justificação da Google é simples, se não exatamente simpática, para tanto tempo de vida útil, muitos destes chips e controladores deixam de conseguir acompanhar as exigências de segurança e desempenho de uma instalação Android completa em cima de ChromeOS.
Em termos práticos, para quem tem um Chromebook mais antigo, a escolha é binária. Ou aceita um ChromeOS mais limitado, sem apps Android, para manter o aparelho seguro durante mais uns anos. Ou mantém tudo como está, com Play Store incluída, e vive com um sistema que deixa de receber updates críticos quando o prazo terminar. Com a pressão regulatória em torno de segurança e privacidade a subir na União Europeia, é difícil ver a Google a flexibilizar esta linha.
Há, pelo menos, alguma transparência no processo. A partir de hoje, qualquer utilizador pode ver a data de fim de linha do seu portátil: basta clicar na hora no canto inferior direito do ecrã, entrar em Definições, abrir a secção Sobre o ChromeOS e depois Detalhes adicionais. Aí aparece o calendário de updates da plataforma específica daquele modelo. É a mesma lógica de prazo de validade que a Google começou a aplicar recentemente noutras áreas, como explicámos no artigo sobre como ver o prazo da tua Google TV, e que agora se estende a todo o universo de computadores ChromeOS.
Para empresas e escolas, a decisão é ainda mais estratégica. Quando o prazo acabar, as políticas de gestão centralizada começam a falhar, e aplicações que exigem versões mais recentes de ChromeOS vão pura e simplesmente deixar de arrancar. Quem optar pelas Extended Updates em parques de máquinas antigos ganha tempo, mas perde o argumento de compatibilidade com apps Android, que para muita gente era o que tornava um Chromebook mais interessante do que um portátil barato qualquer.
Do lado do utilizador doméstico, a Google deixa algumas portas entreabertas para não deitar o hardware fora à primeira oportunidade. Mesmo sem Play Store, continua a ser possível usar apps Linux suportadas e empurrar mais trabalho para o browser e para a cloud. Em último caso, um Chromebook fora de prazo ainda pode servir como leitor multimédia simples, máquina de convidado ou dispositivo secundário para aprendizagem. É pouco romântico, mas é mais honesto do que fingir que o suporte é “para sempre”. Quem comprou um portátil barato a contar com anos de atualizações ilimitadas está agora a descobrir que, no mundo Google, nada foge ao rótulo de validade.
Fonte: MakeUseOf
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