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NTFS-3G volta a ser atualizado, mas o Linux quer que uses NTFS3

A nova versão do NTFS-3G tapa várias falhas de segurança e bugs, mas a recomendação continua a ser clara: para NTFS em Linux, o caminho é o driver NTFS3 no kernel.

NTFS-3G volta a ser atualizado, mas o Linux quer que uses NTFS3
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

NTFS em Linux continua a ser um tema sensível, sobretudo para quem vive com dual-boot ou discos externos cheios de partições vindas do Windows. Hoje saiu o NTFS-3G 2026.9.18, nova versão estável do driver livre e multi-plataforma que durante anos foi sinónimo de suporte NTFS em Linux. A atualização, conta o 9to5Linux, é quase toda sobre segurança e correções de memória.

O projeto acrescenta novas salvaguardas na herança de ACLs, em particular contra múltiplas ACEs de creator-owner e creator-group, e resolve vários heap buffer overflows em funções internas como ntfs_external_attr_find(), ntfs_ea_check_wsldev(), ntfs_check_restart_area(), ntfs_same_sid() e ntfs_acl_owner(). Há ainda correções para um acesso fora de limites em ntfs_ie_add_vcn(), corrupção de dados em ntfs_mapping_pairs_decompress_i() e um cenário de negação de serviço em ntfs_inode_attach_all_extents(). Tudo coisas que ninguém quer num driver que fala com o sistema de ficheiros onde tens backups e trabalho.

A nova versão resolve também um bug no comando ntfsresize que podia deixar dados obsoletos em $MFTMirr quando o primeiro segmento de $MFT era movido, e um problema de limpeza de atributos abertos em erro no ntfscat. Para quem precisa mesmo deste driver, os detalhes técnicos e o código fonte estão nas notas de lançamento na página do NTFS-3G no GitHub, onde se pode descarregar o tarball para compilar à mão.

Apesar do historial e da ubiquidade, NTFS-3G tem uma limitação estrutural: corre em userspace via FUSE, o que obriga a saltos constantes entre modo utilizador e modo kernel em cada operação. Resultado, gargalo no CPU e velocidades de leitura e escrita visivelmente abaixo do que se consegue com sistemas de ficheiros nativos. É por isso que, como sublinha o 9to5Linux e muita gente na comunidade, a opção sensata para NTFS em Linux hoje chama-se NTFS3, o driver da Paragon que vive no kernel e é substancialmente mais rápido e menos pesado.

NTFS3 entrou no kernel Linux 7.1 e continua presente em todas as versões seguintes, incluindo o 7.2 usado em distros recentes como o MX Linux 25.3, de que falámos quando chegou com o novo kernel e Debian por baixo. Se a tua distribuição já corre 7.1 ou superior, instalar NTFS-3G para uso geral deixa de fazer sentido. A existência do projeto passa a ser mais uma questão de compatibilidade, soluções de nicho e inerça de sistemas antigos, do que a escolha recomendada para o dia a dia.

O quadro que fica é familiar em Linux: um componente histórico continua vivo, recebe correções importantes, mas a linha da frente já mudou há algum tempo. Ignorar estas atualizações de segurança é má ideia, sobretudo em máquinas que ainda montam NTFS via FUSE. Continuar a usá-lo como driver principal, quando o kernel traz uma alternativa claramente superior, é outra conversa. Entre desempenho e superfície de ataque, quem insiste em ficar para trás escolhe a pior combinação possível.

Fonte: 9to5Linux

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