Um telemóvel de 5,99mm de espessura ainda soa a truque de feira. Normalmente vem acompanhado de bateria encolhida, câmara cortada e preço inflacionado. O Motorola Edge 70, que chegou em 2025, está a furar esse guião. Segundo o Android Authority, depois de duas semanas de uso intensivo, o modelo está a ganhar espaço como um dos Androids preferidos de quem o testou.
A comparação óbvia é o Samsung Galaxy S25 Edge, o outro ultra-fino recente. A Samsung pediu $1.099, mais do que pelos S25 “normais”, e em troca ofereceu uma bateria de 3.900mAh com carregamento a 25W e um módulo de duas câmaras sem telefoto. Nas contas do Android Authority, compromissos a mais, preço a mais. A mensagem era simples: formato fino, sim, mas com demasiados sacrifícios para valer a pena.
O Edge 70 ataca precisamente nesses pontos fracos. Mantém-se no mesmo campeonato de espessura, com 5,99mm contra 5,8mm do S25 Edge, e ainda assim encaixa uma bateria de 4.800mAh em tecnologia silício-carbono. Quem o usou para sessões longas de jogos como Pokémon Go diz que o telefone aguenta várias horas seguidas sem dramas, algo que se costuma pagar caro num corpo tão delgado. O carregamento com fio também é outro campeonato: 68W no Motorola, contra 25W no Samsung fino e até acima dos 60W do S26 Ultra mais recente.
Por dentro, o Edge 70 aposta num Snapdragon 7 Gen 4, que não é topo de gama mas tem aguentado multitarefa e jogos sem soluços, de acordo com o Android Authority. É a velha fórmula que tende a resultar: processador de gama média alta suficiente para quase tudo, menos consumo, menos calor, e orçamento libertado para investir em bateria e acabamentos. O telefone pesa 159g, alguns gramas abaixo dos rivais diretos, o que faz diferença quando se vem de “tijolos” como um Galaxy S23 Ultra com mais de 230g.
Na fotografia, a Motorola fez um arranjo mais equilibrado do que a Samsung no S25 Edge, mas com a mesma omissão que custa engolir. À frente há uma câmara de 50MP, atrás duas de 50MP, com boa nitidez, cores vivas e um modo macro competente. O foco em sujeitos em movimento, como animais, também sai elogiado. O problema é familiar: não há lente telefoto dedicada. O zoom “óptico-like” a 2x via crop ajuda, mas não substitui vidro próprio para aproximação, sobretudo para quem vem de modelos como o S26 Ultra, em que a telefoto é meio telefone.
O que torna o Edge 70 interessante é precisamente este equilíbrio raro num segmento obcecado com milímetros: um corpo ultra-fino que não mata a bateria, não abdica de carregamento rápido e não se rende a especificações pobres só para encaixar num bolso mais justo. Fica a faltar a telefoto para ser realmente completo e falta sabermos se a Motorola vai trazê-lo oficialmente para a Europa com um preço sensato. Se conseguir ficar bem abaixo da barreira dos flagships Samsung e Apple, o Edge 70 prova que o “slim” não tem de ser sinónimo de frágil, apenas de melhor engenharia e menos marketing oco.
Fonte: Android Authority
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