SMARTPHONES

Meadow é o telemóvel mínimo para sair sem levar o smartphone

O pequeno quadrado corre Android, chama Ubers, toca música e guarda bilhetes, mas deixa de fora redes sociais e browser. A ideia não é substituir o iPhone, é obrigar-te a largá-lo.

Meadow é o telemóvel mínimo para sair sem levar o smartphone
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Um concerto, um segurança à porta e um bilhete em formato código de barras num ecrã de três polegadas. Segundo o TechCrunch, o pequeno Meadow passou no teste: validou o bilhete, chamou o Uber e ainda fez streaming de Apple Music, tudo isto sem que o iPhone que estava no bolso de reserva precisasse de sair de lá. É este o argumento do novo “telemóvel mínimo” que quer livrar-te do ecrã principal sem te cortar o acesso ao básico.

O Meadow insere-se na vaga de gadgets de “slow tech” que tentam reduzir a dependência do smartphone, mas com um ângulo diferente. Em vez de ser um tijolo que substitui tudo, como o Brick, ou um telefone simplificado que exige abdicar por completo do smartphone, como o Light Phone ou o Wisephone, a proposta aqui é complementar: levas o Meadow contigo, deixas o smartphone em casa ou no fundo da mochila e tentas viver a noite sem cair no scroll infinito.

O dispositivo corre Android e, por isso, suporta apps como Maps, Strava, Uber, Apple Music e Spotify. Tem ainda aplicações nativas para câmara, gravação de voz, notas, chamadas, SMS, partilha de localização e leitura de bilhetes. Ou seja, cobre o essencial da logística do dia a dia, mas corta onde dói: sem redes sociais, sem browser, sem feed para te prender. A empresa insiste que não é um manifesto anti-tecnologia, é um filtro: streaming sim, doomscroll não.

Há compromissos claros. Não podes usar o teu número habitual, é preciso um plano de subscrição próprio do Meadow com um número separado. Quem avança o detalhe é o TechCrunch: o fundador recomenda usar o “modo de condução” do iPhone, alterando a mensagem automática para avisar que estás com o Meadow. Quem realmente precisar de ti encontra-te, quem só quer mandar memes que espere. É uma solução engenhosa, mas também um lembrete de que gerir dois números e um segundo plano móvel não é exatamente plug-and-play.

Na utilização descrita pelo TechCrunch, a autonomia e o brilho do ecrã não foram problema, até tendem a exagerar no brilho em ambientes escuros, o que na prática garante legibilidade na rua. A câmara porta-se bem à luz do dia, mas falha num concerto, o que é coerente com a filosofia do produto: menos registo, mais presença. Curioso é o detalhe da ausência de câmara frontal, substituída por um pequeno espelho ao lado da lente principal para alinhar selfies. Outra limitação: as fotos e vídeos só se vêem depois em casa, via app Meadow no teu smartphone principal. Se a ideia é evitar a tentação de rever e partilhar tudo no momento, o design cumpre.

Do lado menos simpático, ainda há arestas técnicas. O TechCrunch relata um bug em que uma viagem de Uber parecia não ter terminado, gerando confusão, embora o fundador garanta que o problema já foi resolvido. É o preço de entrar cedo num produto que ainda está a dar os primeiros passos, com os primeiros lotes agora a chegar aos clientes de pré-venda. Mesmo assim, o resumo é claro: se aguentas a fricção de ter um segundo número e de viver com um aparelho deliberadamente capado, o Meadow funciona como ferramenta para te desligar sem desaparecer do mapa. A verdadeira questão é se precisamos de mais hardware para isso ou de mais disciplina com o que já temos no bolso.

Fonte: TechCrunch

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