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iFixit dá nota baixa ao novo Apple Watch e aos AirPods 5

Os desmontes do iFixit mostram que Apple Watch Series 12, Ultra 4 e AirPods 5 continuam difíceis de reparar, sobretudo na bateria. Para quem quer manter wearables mais anos, isto pesa mais do que o próximo mostrador bonito.

iFixit dá nota baixa ao novo Apple Watch e aos AirPods 5
Ilustração digital | Pixel Magazine

Atualizas o Apple Watch ou os AirPods, ganhas autonomia e sensores novos, mas perdes quase tudo quando o tema é reparação. Segundo o CNET, os desmontes recentes do iFixit aos Apple Watch Series 12, Apple Watch Ultra 4 e AirPods 5 voltam a pôr a nu o mesmo problema de sempre: trocar uma bateria continua a ser uma operação para mãos muito treinadas, não para uma ida simples à oficina de bairro.

O iFixit atribuiu uma pontuação de 4 em 10 de reparabilidade ao Apple Watch Series 12 e ao Watch Ultra 4. Os AirPods 5 ficaram-se pelos 2 em 10, mesmo depois de algum progresso face ao modelo anterior, que tinha levado um redondo 0. Na escala da organização, um 4 já exige ferramentas, experiência e nervos de aço, e um 2 significa praticamente usar até morrer. Para dispositivos pensados para uso diário e quase permanente no corpo, a mensagem é clara: a bateria esgota-se, o produto basicamente também.

Há nuances. Nos AirPods 5, o iFixit detecta melhorias internas face à geração anterior, indício de que a Apple está a mexer no desenho com a reparação em mente, ainda que devagar. No Apple Watch Series 12, a inclusão de uma lingueta adesiva para soltar a bateria torna a operação um pouco menos dolorosa. A expressão usada pela equipa é elucidativa: ganhos modestos. Já o Apple Watch Ultra 4 fica exatamente onde estava, com a mesma classificação dos três modelos anteriores.

Kyle Wiens, CEO do iFixit, sintetiza o maior entrave: o acesso à bateria. Para chegar lá, é preciso cortar adesivos muito fortes e arriscar danificar um ecrã frágil nos dois novos relógios. Ou seja, a parte que inevitavelmente se desgasta continua enterrada de forma hostil à reparação. Pior, o iFixit acusa a Apple de não cumprir leis de direito à reparação em 10 estados dos EUA, como o Oregon, onde as empresas são obrigadas a disponibilizar as mesmas peças, ferramentas e manuais que usam nos centros oficiais a oficinas independentes e a quem quer reparar em casa.

Segundo o CNET, Wiens já tinha classificado em junho este bloqueio como um “problema de design fixável” no Apple Watch. Não exige um chip novo, exige a decisão de abrir o acesso a peças e documentação e de aceitar um ecossistema de reparação mais aberto. A Apple, por sua vez, remete para o cumprimento da lei do Minnesota e para o apoio a uma regulação federal de direito à reparação. A narrativa pública é pró-reparação, o hardware e o apoio oficial para smartwatch e auscultadores continuam fechados.

Para quem está a decidir entre manter um Apple Watch antigo ou dar o salto para o Series 12, a questão não é só se compensa a troca de funcionalidades, tema que já destrinçámos na análise às diferenças entre gerações. É também saber se, daqui a três ou quatro anos, vais poder trocar a bateria sem transformar o relógio numa sucata cara. Enquanto a Apple tratar relógios e AirPods como bens semi-descartáveis, a melhor feature continua a ser a carteira de quem os compra.

Fonte: CNET

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