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Google alivia castigos a media europeus na política de spam

A gigante da pesquisa vai deixar de aplicar despromoções manuais a publishers europeus com conteúdos patrocinados. A mudança nasce do medo de uma multa pesada sob o DMA.

Google alivia castigos a media europeus na política de spam

Google não mudou de opinião sobre spam, mudou de comportamento na Europa. A partir de 30 de agosto, os publishers noticiosos da União Europeia e do Espaço Económico Europeu deixam de poder levar com uma despromoção manual em Search só porque têm conteúdos patrocinados ou secções comerciais.

O ajuste não é global, é um carve-out europeu puro e duro: vale para os 27 Estados-membro mais Islândia, Noruega e Liechtenstein. No resto do mundo tudo continua igual. Na prática, a mesma página pode agora aparecer bem posicionada para um leitor em Lisboa e afundada para alguém em Nova Iorque. Para um motor de busca que vende a ideia de resultados “neutros”, isto é um reconhecimento raro de que o regulador europeu consegue dobrar a agulha.

O alvo é a política de site reputation abuse, criada em março de 2024 e endurecida em novembro, para atacar o chamado parasite SEO: conteúdos de terceiros estacionados em domínios com autoridade, feitos para colher tráfego sem grande mérito próprio. Em tese, a política visa esquemas de spam, em prática apanhou no mesmo saco secções patrocinadas, reviews com afiliados e parcerias comerciais que são hoje linhas de receita normais em qualquer redação que tente sobreviver à erosão da publicidade clássica.

Google sempre defendeu que a Comissão Europeia estava a mirar na direção errada. Em público repete o argumento de que tem de proteger os utilizadores de práticas enganosas que “minam a web”. O que cede agora não é o princípio, é a forma de o aplicar: as chamadas ações manuais, em que um humano decide penalizar um domínio específico. É precisamente esse tipo de castigo cirúrgico que some para publishers europeus, porque é o que mais claramente se parece com abuso de poder de um gatekeeper com posição dominante na distribuição de notícias online.

O contexto jurídico pesa mais do que qualquer conversa sobre qualidade de resultados. A investigação foi aberta em novembro de 2025 ao abrigo do DMA (Digital Markets Act), a lei europeia para domar plataformas gigantes. Uma violação pode custar até 10% da faturação anual global de um grupo como a Alphabet, um número tão grande que de repente um carve-out regional parece pechincha. É o mesmo tipo de braço de ferro que já vimos noutros dossiês em Bruxelas, como no caso em que a Apple acabou a pagar 17 mil milhões à Irlanda depois de perder em tribunal fiscal europeu, ou na forma como leis antigas estão a ser usadas para blindar a Big Tech na Europa.

Google já tinha deixado pistas em maio, quando apresentou um pacote de remédios à Comissão, prometendo ajustar a forma como a política se aplicava a domínios noticiosos e a transparência sobre o impacto em páginas de publishers. Os detalhes nunca foram totalmente públicos. A confirmação agora mostra que o recuo é mais estreito do que muitos grupos de media esperavam, porque não toca na política em si nem nas penalizações algorítmicas. Fica a sensação de que Bruxelas ganhou um gesto simbólico útil para acalmar redações europeias, e Google comprou paz regulatória sem ceder naquilo que realmente controla: o algoritmo opaco que continua a decidir quem aparece em primeiro lugar.

Fonte: The Next Web

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