Garmin Fenix 9 vs Fenix 8: vale mesmo a pena o upgrade?
Ecrã mais brilhante, mais memória e novas métricas de treino. Mas o salto de geração não é tão linear como o preço de 1.000€ faz parecer.
Ecrã mais brilhante, mais memória e novas métricas de treino. Mas o salto de geração não é tão linear como o preço de 1.000€ faz parecer.
A Garmin já tem novo relógio topo de gama para quem vive agarrado ao GPS e ao desnível acumulado. O Fenix 9 chega com ecrã mais brilhante, mais memória e um saco cheio de métricas, mantendo o preço de lançamento da geração anterior: cerca de 1.000$, algo como ~920€ sem impostos. O problema é típico em wearables de luxo: o Fenix 8 continua à venda, continua muito competente e começa a aparecer com descontos.
Segundo o Engadget, a primeira diferença que se sente está no ecrã. O Fenix 9 mantém o painel AMOLED, mas a Garmin fala em brilho até 3.000 nits na versão Pro, o dobro do Fenix 8. A marca nunca revelou números oficiais para o modelo antigo, mas a conta é simples: quem treina muito sob sol forte, em alta montanha ou à beira-mar vai ler melhor o ecrã no Fenix 9. Para uso mais urbano ou ginásio, não é um salto de “noite e dia”, o Fenix 8 já era bastante visível.
Na caixa, a Garmin aproxima o Fenix 9 da configuração mais cara do Fenix 8: titânio no aro, vidro de safira no ecrã, certificação militar de resistência e estanqueidade até 40 metros de profundidade. Na geração anterior ainda havia uma base em aço inoxidável com vidro simples, agora o posicionamento é claramente premium de raiz. Ou seja, quem só queria um Fenix “de entrada” vê a fasquia subir, pelo menos enquanto não houver variantes mais baratas.
Por baixo do ecrã é onde a atualização fica mais interessante. O Fenix 9 duplica o armazenamento para 64GB e ganha mais 50% de RAM. Isto traduz-se em mais aplicações, mapas e música offline, além de transições mais rápidas entre modos e um mapa que, nas contas da Garmin, faz pan até 30% mais depressa. Para quem gosta de levar playlists inteiras do Spotify ou de carregar mapas detalhados de vários continentes, esta subida de memória é provavelmente o argumento mais prático para trocar de relógio. Há quem troque de smartwatch por meia hora extra de bateria, aqui a proposta é “menos gestão de espaço, mais foco no treino”.
Nas funcionalidades, o Fenix 9 traz novidades sobretudo de software, como o Garmin Epic, que agrupa atividades ao longo de dias ou semanas numa espécie de história partilhável em Garmin Connect, e novas leituras de resistência com zonas de stamina e curva de stamina para gerir melhor o esforço em provas longas. Há também mais atenção ao rucking, com possibilidade de registar alterações de peso da mochila durante a atividade e integração de treinos estruturados GORUCK. Este tipo de métricas avançadas encaixa bem com a estratégia recente da marca, que já tinha expandido funcionalidades de segurança e coaching em atualizações para outros modelos, como se viu quando a Garmin levou deteção de queda contínua a vários relógios.
O ponto sensível é que muitas destas funcionalidades devem chegar ao Fenix 8 via atualizações de software. A própria Garmin tem histórico de alongar o suporte dos modelos de topo, o que esvazia parte da justificação para gastar mais 900€ num novo relógio. Ficam como exclusivos de hardware o ecrã mais brilhante, o extra de RAM, o dobro do armazenamento e o motor de mapas mais rápido. Para quem já tem um Fenix 8 e não está a sentir limitações de espaço ou de legibilidade, a troca parece difícil de defender, tal como acontece com outros relógios recentes em que o salto anual é curto. Para quem vem de um Fenix 7 ou anterior, ou quer entrar agora no universo Garmin a sério, o Fenix 9 é claramente o alvo, mas o valor pedido continua a ser o tipo de preço que obriga a fazer bem as contas antes de carregar em “comprar”.
Fonte: Engadget
Comentários · 0