Quase todas as distribuições Linux vêm com a mesma prenda envenenada: um conjunto de aplicações decidido por outra pessoa. Navegador, gestor de ficheiros e terminal fazem falta, três players de música diferentes e um gravador de DVDs em 2026 já é discutível. Segundo o How-To Geek, a Fedora encontrou uma forma bastante direta de fugir a essa lógica com a imagem Fedora Everything.
Em vez de uma ISO gorda que traz o sistema e meia dúzia de centenas de pacotes, a Fedora Everything é uma ISO de netinstall com cerca de 1,1GB, menos de metade da Workstation habitual. Arranca diretamente para o instalador Anaconda e deixa-te escolher, grupo a grupo, o que queres realmente instalar. Nada de “snapshot” pré-cozinhado, aqui o desktop é montado peça a peça durante a instalação, desde o ambiente gráfico até ferramentas de desenvolvimento e utilitários de administração.
O ecrã crucial é o da seleção de software. Aí é possível apontar para ambientes base familiares como Workstation ou Xfce, mas também optar pela via radical: Fedora Custom Operating System. Esse perfil é quase um esqueleto, pensado para quem quer decidir tudo, desde o servidor SSH até ao editor de texto. Do lado direito, grupos de pacotes adicionais permitem acrescentar logo o tipo de ferramentas com que trabalhas, em vez de passares dias a desinstalar o que não usas. A contrapartida é óbvia, sem ligação à internet não há instalação, já que tudo é descarregado em tempo real.
O jornalista que testou a Fedora Everything para o How-To Geek elogia precisamente essa ausência de “bloat”, mas nota o outro lado da moeda. Uma instalação mínima omite coisas em que ninguém pensa até fazerem falta, como utilitários pequenos, ferramentas de impressão ou codecs. É o preço da liberdade, especialmente para quem não tem na cabeça a lista completa de pacotes de que precisa. Distrais-te na seleção, acabas com um sistema tão magro que te obriga a mais uma ronda pelo gestor de pacotes logo após o primeiro arranque.
A verdade é que isto só faz sentido para um certo tipo de utilizador Linux. Quem quer simplesmente um desktop pronto a funcionar ao fim de 20 minutos continua melhor servido com as imagens tradicionais, sejam da Fedora, do Ubuntu ou de distribuições mais opinativas como a Garuda, que anda ocupada a levar configurações pré-montadas para o mundo NixOS, como contámos quando apresentou o seu port para NixOS. A Fedora Everything entra noutro campeonato, o de quem prefere investir tempo a montar a máquina certa, em vez de aceitar a que vem do fabricante.
Para quem vive feliz no terminal, trata servidores caseiros ou quer um portátil de trabalho que só traz exatamente o necessário, a proposta faz sentido. Em vez de perderes horas a limpar o que os outros decidiram por ti, gastas esse tempo uma vez a escolher bem e ficas com um sistema que se explica em meia dúzia de comandos dnf. A Fedora não inventou a instalação mínima, mas ao pô-la em destaque com a Everything está a lembrar ao mundo Linux que o conforto dos presets tem um custo, e que às vezes compensa assumir o incómodo de tomar decisões em troca de um desktop que é mesmo teu.
Fonte: How-To Geek
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