Evento Surprise and Shine da Apple marca estreia de John Ternus
Novo CEO sobe ao palco com iPhone 18 Pro e um possível iPhone dobrável na mira. Mais do que hardware, está em jogo a narrativa da Apple para os próximos anos.
Novo CEO sobe ao palco com iPhone 18 Pro e um possível iPhone dobrável na mira. Mais do que hardware, está em jogo a narrativa da Apple para os próximos anos.
A Apple entra daqui a nada em palco (pelas 18h/Lisboa) com algo mais delicado do que um novo chip de 2 nanómetros: a estreia de John Ternus como CEO em modo espectáculo global. O evento de outono chama-se “Surprise and Shine”, começa às 18h em Portugal, e é a primeira grande apresentação de produto desde que Ternus assumiu o cargo a 1 de setembro. O streaming passa pelo site oficial da Apple, app Apple TV, YouTube e praticamente qualquer navegador moderno, sem obrigação de ter iPhone ou Mac.

Para quem segue o calendário da Apple, o alinhamento base é previsível. O iPhone 18 Pro e o iPhone 18 Pro Max são quase garantidos, com ecrãs nas mesmas 6,3 e 6,9 polegadas do ano passado e foco nas entranhas. Fala-se de um novo A20 Pro em fabrico de 2 nanómetros, mais desempenho por watt e mais memória para empurrar as funcionalidades de IA no próprio dispositivo. Nada disto é oficial, mas a direcção é clara: continuar a vender “segurança e privacidade” como argumento, enquanto mete cada vez mais inferência de modelos no bolso do utilizador.
Na câmara, os rumores apontam para um sistema de abertura variável na lente principal de 48 megapíxeis. Em teoria, mais controlo sobre luz e profundidade de campo. Na prática, vai depender do sensor, da óptica e, sobretudo, do software de processamento de imagem. A Apple sabe que qualquer melhoria subtil será dominada por outra conversa: o preço. Depois de admitir a pressão dos custos de memória e armazenamento, tudo aponta para mais um degrau acima face ao iPhone 17 Pro, que já chegou a Portugal em patamares pouco amigáveis para quem troca de dois em dois anos.
O verdadeiro teste político para Ternus pode nem ser o Pro, mas o primeiro iPhone dobrável, o tal unicórnio que a concorrência andou a criar enquanto a Apple observava de bancada. Os relatos falam num formato tipo livro, um “iPhone Duo” que fechado parece um iPhone normal e aberto cresce para um mini tablet com cerca de 7,8 polegadas, ecrã exterior de 5,5 polegadas, Touch ID na lateral em vez de Face ID e corpo na casa dos 9 mm em modo dobrado. O foco, dizem os analistas, estará na dobradiça e na dobra quase invisível, os dois calcanhares de Aquiles dos dobráveis da Samsung, Google e companhia.
Os números que circulam para o preço são tudo menos simpáticos: algo na ordem dos 2.000$ a 3.000$ lá fora, o que empurraria facilmente a versão de topo para bem acima dos 2.500€ quando e se chegar à Europa. Nada confirmado, mas suficiente para mostrar a lógica: este não seria um telemóvel de massa, seria um objecto de margem. As previsões da IDC falam em 28% de quota do mercado de dobráveis no primeiro ano e mais de 45 mil milhões de dólares em receita até 2027. Projecções agressivas para um segmento que em 2025 ainda representava só 1,6% dos envios de smartphones, mas que explicam porque é que metade de Silicon Valley está obcecada com este lançamento.
Para quem nos lê de Portugal, a questão não é só “quanto custa lá fora”, é se chega cá com redes 5G afinadas para NOS, MEO e Vodafone e se o preço não bate nos 3.000€ depois de IVA e margens da praxe. A Apple já mostrou que prefere defender margens a crescer quota. Ternus herda essa cultura, mas hoje tem de provar outra coisa: que ainda consegue definir a conversa numa indústria saturada de ecrãs iguais. Se o evento se resumir a mais um ciclo de upgrades previsíveis embrulhados em superlativos, a surpresa do “Surprise and Shine” fica-se pelo nome.
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Fonte: Tech Cabal
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