Em 2026, 4GB de RAM já é quase sinónimo de sofrimento. Navegar com meia dúzia de separadores, abrir o Spotify e mais um documento e o sistema começa a engasgar. No lado Linux a história não é muito diferente, os ambientes de secretária pesados cresceram e o próprio Ubuntu recomenda agora 6GB. Ainda assim, há duas distribuições que, nas contas do How-To Geek, continuam a aguentar bem máquinas com apenas 4GB: Linux Mint Xfce e Lubuntu.
A primeira aposta é o Linux Mint na edição Xfce. A versão atual, Linux Mint 22.3 “Zena”, é baseada em Ubuntu 24.04 LTS e tem suporte até abril de 2029, o que dá vários anos de vida extra ao portátil. O projeto indica 2GB de RAM como mínimo e 4GB para uso confortável, ou seja, um portátil de 4GB está exatamente na zona recomendada, não no limite do arrastar. O Xfce faz aqui o trabalho ingrato de poupança: é um ambiente modular, focado em estabilidade e baixo consumo de recursos, com layout clássico de menu, barra de tarefas e área de notificações.
Quem assina o texto no How-To Geek cita medições de instalações limpas de Mint Xfce em máquinas com 4GB que ficam à volta dos 500MB de RAM em repouso. A edição Cinnamon, mais vistosa, anda pelos 700MB. Não é uma diferença astronómica, mas quando só tens 4GB cada centena de megabytes conta. A ideia é simples: deixar o máximo possível de memória livre para o browser e as apps do dia a dia. E aqui o Mint destaca-se das distros minimalistas clássicas: mantém o Update Manager, o gestor de drivers, a loja de software e integra snapshots com Timeshift para voltar atrás se uma atualização correr mal.
Há compromissos. O Mint 22.3 traz Xfce 4.18 e a série 22.x não deverá saltar para 4.20, isso fica reservado para o futuro Linux Mint 23, apontado para dezembro de 2026. A base Ubuntu 24.04 também não é a melhor amiga de hardware acabadinho de sair, apesar de o projeto lançar ISOs com kernels 6.x mais recentes para tapar parte do buraco. Mas a verdade é que a esmagadora maioria dos portáteis com 4GB são máquinas antigas, por isso estas limitações raramente chateiam. Entre manter o computador utilizável e perseguir o último efeito gráfico, a escolha é óbvia.
Para quem quer ir ainda mais longe na dieta, o How-To Geek aponta para o Lubuntu, a derivada oficial do Ubuntu que usa LXQt. Continua a ser uma distro com selo Canonical, repositórios e base Ubuntu atuais, mas troca o GNOME por um ambiente ainda mais leve do que o Xfce. O resultado é um sistema mais espartano, com menos mimos visuais e menos ferramentas próprias, mas que liberta mais RAM e CPU para aquilo que realmente interessa naquele portátil velho: o browser, um cliente de e-mail, talvez um editor de texto e pouco mais.
No fundo, a escolha é menos sobre qual “é melhor” e mais sobre o tipo de utilizador. Mint Xfce é para quem quer um desktop amigável, com utilitários integrados e o mínimo de manutenção, algo que se recomenda muito a quem está a fugir de um Windows cansado e descobriu, talvez a ler peças como as formas como o Windows estraga o dual-boot com Linux, que há vida para lá da partição NTFS. Lubuntu é para quem aceita um pouco mais de frugalidade em troca de cada megabyte poupado. O ponto comum é claro: com 4GB de RAM, já não faz sentido insistir em ambientes pesados, e o luxo passa a ser um sistema que simplesmente não atrapalha.
Fonte: How-To Geek
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