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Como pôr jogos da Steam a correr em Android sem streaming

O DroidDeck instala um ambiente tipo SteamOS diretamente no telemóvel ou tablet Android. Dá para descarregar e jogar muitos títulos da Steam em local, sem depender da cloud.

Como pôr jogos da Steam a correr em Android sem streaming
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Transformar um telemóvel ou tablet Android numa espécie de Steam Deck já não é só conversa de fórum. O DroidDeck pega em muitos dos ingredientes de SteamOS e cola-os em cima de Android, permitindo instalar e correr jogos da Steam em local, sem streaming.

Na prática, o que o DroidDeck faz é trazer para ARM grande parte do ambiente da consola da Valve. Inclui Big Picture Mode, suporte para plugins tipo Decky Loader e as camadas de compatibilidade habituais como Proton e FEX. Segundo o MakeUseOf, a sensação de navegação e instalação de jogos é muito próxima da de um PC ou da própria Steam Deck, dentro das óbvias limitações de hardware.

Como instalar o DroidDeck no Android

Antes de tudo, convém assumir o óbvio: isto é um projeto em desenvolvimento, não é uma app certificada por ninguém. Há riscos, consome espaço e vai puxar bem pelo processador. Se ainda assim fizer sentido, o ponto de partida é ignorar a Play Store.

O DroidDeck não está disponível na loja oficial da Google. Para o instalares tens de descarregar o APK a partir da página oficial do projeto no GitHub, na secção Releases. No Android, isso implica:

  • Ativar a instalação de apps a partir de fontes desconhecidas nas definições do sistema.
  • Descarregar o ficheiro APK mais recente do DroidDeck.
  • Abrir o APK e aceitar todas as permissões que a app pedir na instalação e primeiro arranque.

Sem estas permissões, o DroidDeck não consegue gerir ficheiros, armazenamento nem ligação de rede como precisa. Quem testou para o MakeUseOf realça precisamente isso: vale a pena perder dois minutos a conferir se nada foi bloqueado por engano.

Configurar a Steam e instalar jogos

Com o DroidDeck instalado, a Steam passa a ser o elemento central da interface. A app apresenta o launcher da Steam logo à frente, e o processo de configuração é o mesmo de sempre: iniciar sessão com a tua conta, confirmar o login e deixar que o cliente se atualize.

O que está por baixo é uma versão de SteamOS otimizada para dispositivos ARM, com Proton e FEX a fazerem o trabalho pesado da compatibilidade. No uso diário, a interface funciona como o modo de jogo da SteamOS tradicional. Tens Big Picture Mode completo, biblioteca, loja, definições de energia e instalação de jogos quase como num PC x86_64.

Instalar jogos faz-se exatamente pela biblioteca da Steam, escolhendo o título e carregando em instalar. A diferença é que tudo corre em local, no hardware do Android, não via streaming. Convém, claro, olhar para o espaço disponível: um par de AAA atuais enche facilmente o armazenamento de um telemóvel médio.

Outros launchers e modo desktop

O DroidDeck não vive apenas da Steam. De acordo com o MakeUseOf, a app já suporta à partida outros launchers como GOG e Epic Games, sem grandes malabarismos extra. Isto abre a porta a bibliotecas inteiras de jogos de PC num dispositivo que, oficialmente, nunca foi pensado para isso.

Há ainda um modo Desktop que merece nota. Esse modo instala um ambiente de trabalho KDE Plasma, com aplicações típicas deste desktop Linux e uma experiência que, em teoria, se aproxima de um mini PC tradicional. Na prática, quem experimentou descreve-o mais como curiosidade do que como substituto real de um computador: funciona, mas o conjunto de limitações de Android e do próprio hardware não deixa muita margem para trabalho sério.

O que esperar de desempenho e limitações

O desempenho é o grande ponto de interrogação. O jornalista que testou o DroidDeck para o MakeUseOf fala em resultados impressionantes num chipset antigo, o que é bom sinal, mas continua a ser um cenário feito à mão: um determinado modelo, com uma determinada ROM, bem afinado. Na vida real, a variabilidade de dispositivos Android é brutal, e os milagres têm sempre um teto muito físico chamado TDP.

Mesmo quando corre bem, há compromissos óbvios: resoluções mais baixas, presets gráficos moderados, aquecimento notório e um impacto forte na bateria. E depois há o lado legal e prático: tens de ter os jogos comprados na tua conta Steam, vais ocupar dezenas de gigabytes de armazenamento e convém não esquecer que isto tudo anda em cima de um sistema pensado para telemóveis, não para sessões longas de DOOM 3 com rato e teclado.

No meio de consolas portáteis x86 a definhar e de um mercado que insiste em formatos proprietários, soluções como o DroidDeck mostram porque é que tanta gente continua a apostar em Android como plataforma de experimentação. Não substitui uma Steam Deck, mas obriga a olhar duas vezes para aquele tablet velho na gaveta.

Fonte: MakeUseOf

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