Apple entrega parte dos seus chips à Intel
Trump anuncia acordo Apple-Intel para fabricar chips nos EUA. O negócio existe, mas por agora vive de gerações antigas e de muita política industrial americana.
Trump anuncia acordo Apple-Intel para fabricar chips nos EUA. O negócio existe, mas por agora vive de gerações antigas e de muita política industrial americana.
Donald Trump resolveu fazer de porta-voz da Apple e da Intel: num post no Truth Social, o ex-presidente dos EUA revelou que as duas empresas fecharam um acordo para fabricar chips em fábricas americanas da Intel. As ações da Intel reagiram logo, com uma subida de 9 % em pré-mercado. O detalhe técnico do acordo, esse, continua bastante mais nebuloso.
Pelo que já tinha sido avançado por analistas como Ming-Chi Kuo, a Intel começou a produzir chips “legado” para iPhones, iPads e Macs, ou seja, gerações mais antigas de silício Apple. Importa sublinhar o óbvio: os chips continuam a ser desenhados pela Apple, a Intel entra apenas como fundição, um fornecedor adicional de fabrico. Para quem em Portugal compra um iPhone de entrada de gama no operador ou um Mac mais barato na Worten, isto traduz-se em componentes feitos nos EUA em vez de Taiwan, sem impacto direto em desempenho.
O que está fora de alcance, pelo menos nos próximos anos, são os processadores de topo como os M‑series mais recentes ou os SoC dos iPhones Pro. A TSMC (Taiwan Semiconductor Manufacturing Company) continua vários passos à frente em tecnologia de fabrico, sobretudo nos nós mais avançados usados pela Apple. Mesmo com a aposta agressiva da Intel em processos como o 18A, de que já falámos quando mostrou os primeiros chips AI PC feitos nos EUA em demonstrações recentes, a distância prática ainda é grande.
Para a Apple, o interesse é óbvio: ter um segundo fornecedor de fabrico em grande escala é uma alavanca nas negociações com a TSMC e uma almofada contra riscos geopolíticos no estreito de Taiwan. Para a Intel, que tenta reinventar-se como fundição aberta, captar um cliente como a Apple, mesmo que “apenas” com gerações antigas, é cartão de visita para convencer outros designers de chips. O timing político também ajuda. A Casa Branca quer mostrar que os biliões de dólares em subsídios aos semicondutores estão a trazer produção para solo americano. Esta parceria encaixa na narrativa, mesmo que tecnicamente seja a parte menos sexy do catálogo da Apple a atravessar o Atlântico.
Do lado de quem usa Mac ou iPhone em Portugal, o impacto de curto prazo é quase nulo. Não há promessa de preços mais baixos, e os modelos de topo continuam dependentes das linhas de fabrico da TSMC, que já tem operações na Europa a caminho. A médio prazo, se a Intel conseguir aproximar-se da TSMC em rendimento e eficiência, a Apple ganha poder de escolha. E o resto da indústria europeia também, porque mais concorrência em fabrico pode aliviar a pressão de custos em tudo, de carros elétricos a routers de fibra.
Por agora, o acordo Apple‑Intel é sobretudo sinal político e financeiro. Mostra que a Intel está disposta a aceitar trabalho menos glamoroso para pôr as fábricas a rodar, e que a Apple não quer ficar refém de um único país para produzir o cérebro de todos os seus dispositivos. Quem olhar só para o tweet de Trump vê “chips feitos na América”. Quem olhar para a folha de especificações dos próximos iPhones Pro vai continuar a ver TSMC nas entrelinhas.
Fonte: 9to5Mac
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