Tomb Raider: Legacy of Atlantis quer ser mais que um simples remake
Lara Croft volta ao ponto de partida, mas em modo reimaginação, com novos dinos, nova actriz e uma dose assumida de exagero tecnicolor.
Lara Croft volta ao ponto de partida, mas em modo reimaginação, com novos dinos, nova actriz e uma dose assumida de exagero tecnicolor.
Trinta anos depois do primeiro Tomb Raider, Lara Croft volta ao início, mas sem nostalgia preguiçosa. Tomb Raider: Legacy of Atlantis não é mais um polimento em 4K do clássico da Saturn e da PlayStation, é apresentado pelos estúdios como uma “reimaginação” assumida. A Crystal Dynamics junta-se à polaca Flying Wild Hog, o que já é curioso por si: uma série com ADN britânico, com direcção norte‑americana e produção repartida, a tentar honrar um ícone que em Portugal viveu sobretudo nas consolas da sala e nas casas de jogos da esquina.
A demo mostrada no Summer Game Fest focou o vale perdido no Peru, incluindo o inevitável Templo de Qualopec. A estrutura é familiar para quem jogou o original ou o Anniversary: puzzles de engrenagens gigantes, segredos escondidos e aquele ritmo de súbita calma seguida de desastre. A diferença está no tom visual. Onde a trilogia “Survivor” apostava num realismo sujo e traumático, Legacy of Atlantis carrega na saturação e no contraste. Ruínas cobertas de vegetação densa, cascatas com direito a momento postal, água cristalina. Não chega ao estilo cartoonesco, fica a meio caminho: realista, mas com dramatização deliberada.
Essa mudança estética não é só cosmética. Os criativos insistem em chamar‑lhe reimaginação precisamente para marcar distância da ideia de remake 1:1. Há pontos de ancoragem claros para quem decorou o jogo de 1996, mas o objectivo não é refazer o mapa quadrado bloco a bloco. Jeff Adams, director de experiência na Crystal Dynamics, fala em “pontos de tenda” que têm de lá estar, mas sem ficarem reféns do passado. Ou seja, há dinossauros, há o vale perdido, há pistolas duplas. O caminho para lá chegar é que pode ser outro.
No combate aparecem os sinais mais óbvios dessa liberdade. Depois de anos em que a série fugiu de acrobacias pouco credíveis, Legacy of Atlantis abraça de novo a Lara quase super‑heroína. Focus meter, bullet time, piruetas no ar enquanto despeja balas em velociraptores. É um choque para quem se habituou à Lara vulnerável das últimas três entradas, mas casa melhor com a memória colectiva da personagem, pelo menos para quem jogou na era da PlayStation original. Há aqui uma tentativa clara de colar as duas “Laras”: a sobrevivente traumatizada e a aventureira maior que a vida.
Os próprios inimigos são um bom resumo da abordagem. Velociraptores e T‑Rex surgem agora com penas, alinhados com o que a paleontologia actual defende. As “ossadas” do design são as mesmas, mas a pele é outra, mais informada, mais dramática. O mesmo se aplica à protagonista: nova actriz, Alix Wilton Regan, a dar voz e presença a uma Lara que supostamente continua a linha da trilogia recente, mas já com o pé no território mais pulp dos clássicos. A pergunta que fica é se esta mistura agrada a quem cresceu com o Tomb Raider original e a quem entrou na série em 2013.
Para já, o que se viu aponta para um jogo que não tem medo de escolher um tom em vez de tentar agradar a todos. Menos cinzento, mais colorido, menos tímido nas acrobacias, mas ainda interessado em puzzles e exploração em vez de só set‑pieces cinematográficas. Se a execução acompanhar o discurso, Legacy of Atlantis pode ser o primeiro “regresso às origens” de uma grande série que não se limita a vender memória a 70€.
Fonte: xbox.com
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