Separadores em excesso são a realidade de quase toda a gente que passa o dia no navegador. O Firefox está a testar uma resposta simples: Mini Window, uma janela flutuante que podes fixar por cima de tudo o resto para manter um site sempre à vista.
Na prática, Mini Window funciona como o picture-in-picture de vídeo, mas aplicado a páginas inteiras. Em vez de soltares apenas o player de vídeo, soltas o separador completo. A descrição oficial da Mozilla, citada no fórum de testes, diz que a função permite “mover um separador, ou uma secção selecionada de uma página, para uma janela compacta” que se mantém sempre em primeiro plano enquanto continuas a navegar noutros separadores. É pensada para ter ao lado documentação, um chat, uma videochamada ou um formulário, sem teres de andar a dividir janelas a meio do ecrã.
Por agora, Mini Window só existe na versão Nightly do Firefox, a versão de teste mais agressiva do navegador. A Mozilla indica que a funcionalidade deverá chegar à versão estável ainda este mês, integrada numa futura atualização do Firefox 160, mas ainda sem dia certo.
Para quem acompanha o desenvolvimento do navegador da Mozilla, isto encaixa na mesma lógica de diferenciação que já se viu em áreas como as extensões no Android, onde o Firefox se mexe mais depressa do que o Chrome, como já analisámos no texto sobre como o Firefox avança nas extensões no Android enquanto o Chrome continua preso.
Segundo a explicação detalhada no fórum da Mozilla, o Mini Window pode ser chamado a partir do menu de contexto de um separador. Clicas com o botão direito no cabeçalho desse separador, escolhes “Move Tab” e depois “Move to Mini Window”. O site salta para uma pequena janela no canto inferior direito do ecrã por defeito, sempre por cima das restantes janelas, incluindo outras aplicações fora do Firefox.
Essa janela compacta não é estática. Podes arrastá-la para qualquer zona do ecrã através da barra de título, e podes redimensionar como uma janela normal ao puxar pelas margens. Ou seja, não tem de ser assim tão “mini”. Dentro da Mini Window navegas quase como num separador comum: podes fazer scroll, clicar em links e interagir com o conteúdo. Links que abririam noutro separador continuam a fazê-lo, mas passam a abrir na janela principal do Firefox, não dentro da Mini Window.
O interface da Mini Window surge depurado. Por defeito, o Firefox esconde botões tradicionais como avançar, recuar ou barra de endereço, o que reforça a ideia de que isto não é um segundo navegador, é um painel auxiliar para conteúdo que queres ter sempre em vista. Para muitos fluxos de trabalho, isso chega e sobra. A função cobre bem cenários clássicos de produtividade: consultar documentação técnica enquanto se programa, seguir um chat de equipa durante uma reunião em ecrã inteiro, manter o painel de controlo de um serviço online visível enquanto o resto do desktop muda.
Há também implicações claras para quem trabalha em portáteis com ecrãs pequenos. Em máquinas de 13 ou 14 polegadas, dividir o ecrã ao meio com duas janelas completas acaba rapidamente em colunas demasiado estreitas. Um painel flutuante que podes dimensionar ao pixel e encaixar num canto é mais flexível. Aqui, o Mini Window faz o que o Windows 11, o macOS e as extensões de gestão de janelas andam a tentar há anos, mas com uma abordagem centrada no próprio navegador.
Convém lembrar que estamos a falar de uma funcionalidade em desenvolvimento, inserida numa versão que a própria Mozilla apresenta como instável. Bugs, arestas por limar e decisões por fechar fazem parte do pacote. No entanto, a ideia em si tem mais substância do que a maioria dos truques visuais que os browsers vão ganhando. Ataca um problema real: a fricção constante entre o separador que estás a usar e o separador que precisas de manter sempre no radar.
Se a adesão for boa e a implementação não se tornar pesada, Mini Window pode tornar-se uma daquelas pequenas funções que definem a personalidade de um navegador. O Chrome continua focado na velocidade bruta e na integração com a conta Google, o Edge empurra serviços da Microsoft a cada clique, o Safari fecha-se no ecossistema Apple. O Firefox, com extensões fortes e agora com pequenos extras de produtividade deste tipo, vai afinando o papel de navegador para quem quer mais controlo sobre o próprio fluxo de trabalho.
Fonte: Lifehacker
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