O Explorador de Ficheiros do Windows ganhou separadores e verniz novo, mas continua curto para quem passa o dia a gerir pastas, discos e servidores. Há anos que a comunidade resolve o problema por fora e, neste momento, um dos projetos que melhor mostra o contraste chama-se Double Commander.
O Double Commander é gratuito, open source e corre em Windows, Linux e macOS. À primeira vista parece saído da época do Windows XP, mas dá duas coisas que a Microsoft continua a evitar: controlo total e velocidade. No artigo do MakeUseOf descrevem-no sem rodeios como o gestor de ficheiros que a própria Microsoft devia ter feito.
A base é um interface com dois painéis lado a lado. Em vez de teres duas janelas do Explorador a flutuar no ecrã, ficas com tudo encaixado no mesmo quadro. Copiar ou mover ficheiros entre discos, partilhas de rede ou pens USB passa a ser literalmente arrastar de um lado para o outro. Comparar conteúdos de duas pastas deixa de ser aquele pingue-pongue de Alt+Tab que toda a gente conhece no Windows.
Depois há o visualizador interno, que é provavelmente a funcionalidade que mais faz falta no Explorador tradicional. No Double Commander basta selecionares um ficheiro e carregar em F3 para o veres dentro da própria aplicação: texto, imagens, áudio, vídeo e até arquivos comprimidos. Para quem passa a vida a abrir e fechar PDFs, imagens ou logs de texto só para perceber o que lá está, são dezenas de cliques poupados por dia.
O programa suporta ainda plugins, o que abre a porta a tudo o que o projeto de base não traz. Falta-te suporte profundo para RAR, 7z ou TAR, integração com ferramentas de controlo de versões ou realce de sintaxe mais avançado para código? Há extensões para isso. É aqui que se nota o que significa ser open source em 2026: se a comunidade precisar de uma função, alguém acaba por a escrever, em vez de esperar anos por uma atualização oficial perdida num qualquer roadmap da Microsoft.
Outra área onde o Double Commander vai claramente mais longe é na forma como trata separadores e atalhos de teclado. O Explorador do Windows ganhou tabs, sim, mas continua limitado e pouco configurável. No Double Commander podes fixar separadores, definir se herdam a pasta atual, gravar grupos de tabs como sessões de trabalho e chamar tudo isto com teclas definidas por ti. Para quem já vive de atalhos no Windows, vale a pena olhar para a lista oficial de combinações de teclas do Double Commander na sua página de documentação.
Nas definições, quase tudo é ajustável: do tema claro/escuro ao esquema de cores tipo terminal, dos formatos de data e hora à forma como as colunas aparecem ou como são tratadas as ligações de rede. Quem escreveu para o MakeUseOf sublinha que, ao contrário do Explorador, a lógica dos menus e opções é coerente com workflows de trabalho intensivo: operações em lote, filtros avançados, pesquisa com condições complexas e gestão de filas de cópia são tratadas como funções principais, não como extras escondidos.
Há um preço a pagar por isto, claro: a curva de aprendizagem. Se a tua utilização do Windows é abrir o Word, o navegador e pouco mais, o Double Commander vai parecer demais. Mas quem já anda a puxar por ferramentas como o PowerToys, que explicámos noutro texto sobre como espremer mais do Windows, vai sentir-se em casa passado pouco tempo.
O contraste é aquele que já se começa a notar em outras frentes do sistema: o Windows 11 continua a arrastar heranças antigas, como aquela tecnologia de rede pré-histórica que detalhámos quando mostrámos que o Windows 11 ainda traz ativa uma tecnologia dos anos 90. O Explorador oficial segue a mesma filosofia, muda o verniz, evita mexer a sério nas bases. Ferramentas como o Double Commander fazem o oposto, ignoram a cosmética e focam-se no trabalho duro de quem precisa de tratar ficheiros a sério.
Para a maioria das pessoas, o Explorador que vem com o Windows continua a chegar. Para quem passa o dia em partilhas de rede, discos externos e árvores de pastas profundas, faz cada vez menos sentido ficar preso ao mínimo. E quando uma alternativa gratuita e aberta dá tantas opções sem pedir nada em troca, a desculpa de “é o que vem com o sistema” começa a soar muito fraca.
Fonte: MakeUseOf
Comentários · 0