SOFTWARE

Proton elege Brave como o browser mais seguro de 2026

A Proton comparou cinco browsers focados em privacidade e deu a vitória ao Brave. A decisão não é consensual, mas explica bem o equilíbrio entre segurança extrema e um dia-a-dia que não rebenta metade da web.

Proton elege Brave como o browser mais seguro de 2026
Ilustração digital | Pixel Magazine

A Proton, conhecida pelos serviços de email e VPN focados em privacidade, decidiu pôr na balança cinco browsers populares de quem foge ao Chrome. Segundo o MakeUseOf, o vencedor do duelo foi o Brave, que a empresa suíça coroa como o browser mais seguro de 2026.

O teste comparou Brave, Firefox, LibreWolf, Vivaldi e Zen em três rondas distintas: dependência de big tech, proteção contra tracking e usabilidade no dia-a-dia. À partida, os favoritos de muita gente mais desconfiada seriam Firefox ou LibreWolf, mas os critérios usados pela Proton puxam o resultado para outro lado.

Na primeira ronda, a Proton penalizou browsers assentes no motor Chromium da Google, como Brave e Vivaldi, por dependerem de código controlado por uma gigante que vive de publicidade e dados. Browsers baseados no motor Gecko da Mozilla ficaram à frente neste ponto, sobretudo forks como LibreWolf e Zen, que cortam ainda mais a corda: nada de telemetria, nada de acordos de pesquisa com empresas que recolhem dados por defeito.

O próprio Firefox perdeu pontos aqui por causa da dependência histórica das receitas vindas da parceria com a pesquisa da Google. É o preço de ser mainstream e tentar competir com o Chrome sem uma impressora de dinheiro própria. LibreWolf e Zen ganham terreno precisamente por rejeitarem este modelo, assumindo-se como versões endurecidas do Firefox, ainda que isso os empurre para um nicho bem mais pequeno.

Na segunda ronda, a conversa muda de figura com a questão do browser fingerprinting. Esta técnica junta detalhes do teu hardware, tipo de letra instalado e resolução de ecrã para criar uma impressão digital quase única, mesmo sem cookies. Aqui o Brave levou nota máxima, 10 em 10, graças a um mecanismo de randomização de sessões chamado fingling. Em vez de tentar esconder-te no meio da multidão com um perfil estático, o browser altera certos parâmetros a cada sessão, o que torna muito mais difícil colar um histórico consistente ao mesmo utilizador.

Na última ronda, a Proton avaliou a usabilidade no dia-a-dia, o ponto em que muitas soluções ultra-privadas desistem de ser práticas. LibreWolf brilhou em termos de rigor, mas o rigor saiu caro: bloquear scripts e apertar todas as definições de segurança significa que sites de multimédia comuns, como o YouTube, falham com frequência. Do outro lado, o Brave foi descrito como instantaneamente familiar para quem vem do Chrome, com um equilíbrio entre bloqueio de trackers e compatibilidade que não obriga a estar sempre a abrir exceções.

Neste capítulo o Brave só perdeu um ponto por incluir ferramentas opcionais de criptomoeda e funcionalidades de IA integradas, que podem ser desativadas. Para quem já anda a reforçar a segurança no Chrome com novas defesas como os avisos de sites suspeitos ou proteções contra golpes tipo ClickFix, a ideia de um browser que já nasce mais agressivo no bloqueio de tracking pode ser um passo natural em vez de depender de extensões e menus escondidos em múltiplas definições.

Feitas as contas, o Brave somou 23 pontos em 30 possíveis, ligeiramente à frente de LibreWolf, que ficou com 22. Firefox e Zen empataram nos 21 pontos e Vivaldi fechou a tabela com 14. O próprio MakeUseOf sublinha que a escolha final continua a depender da tua tolerância a compromissos: quem quer privacidade absoluta e está disposto a lidar com sites partidos vai olhar para LibreWolf com outros olhos, quem prefere algo mais plug-and-play tenderá a gravitar para o Brave.

Também vale a pena lembrar que os critérios da Proton refletem a sua visão de risco e o seu modelo de ameaça, não uma verdade universal. Penalizar todos os browsers Chromium por igual pode ser discutível, tal como ignorar que extensões e configurações avançadas conseguem endurecer bastante um Firefox ou até um Chrome bem afinado. Ainda assim, o estudo tem o mérito de pôr na mesma grelha aspetos que muitos utilizadores raramente juntam: de onde vem o dinheiro, quanto tracking é bloqueado por defeito e quantos obstáculos aparecem quando só queres abrir um vídeo sem ter de reconfigurar o browser inteiro.

Fonte: MakeUseOf

Newsletter

Os artigos que importam, duas vezes por semana.

Terça e sexta, cinco minutos de leitura. Sem spam, cancelas quando quiseres.

Comentários · 0