Comprar hardware novo para resolver um detalhe no PC é quase reflexo condicionado. Quem escreve no How-To Geek andava a namorar um rato Logitech MX Master, uma webcam dedicada e um segundo monitor. Em vez de largar centenas de dólares em acessórios, decidiu inverter a lógica: ver o que o Windows e os gadgets que já tinha conseguiam fazer com software gratuito. O resultado foi uma secretária mais funcional sem um cêntimo gasto.
O primeiro alvo foi o rato. Os MX Master são populares pelas gestos e atalhos, não pelo sensor. A ideia foi recriar essa sensação com Kando, uma aplicação para Windows que cria um menu circular no ecrã com atalhos para apps, sites e ações de janelas. Segundo o How-To Geek, basta um atalho de teclado ou um botão do rato para abrir o menu à volta do cursor e escolher o que fazer com um pequeno movimento. Não substitui os botões físicos extra de um rato avançado, mas cobre 80% dos gestos “inteligentes” por software, em qualquer rato barato.
A vantagem é que o Kando não depende do driver de uma marca específica. Podes mapear combinações de teclas, abrir o explorador de ficheiros, controlar o snapping de janelas ou lançar ferramentas de produtividade, tudo organizado em círculos e submenus. Há temas visuais, dá para afinar o atraso de abertura e o raio do círculo, e o jornalista do How-To Geek acabou a usar o teclado muito menos. Se o apelo de um MX Master é sobretudo fluxo de trabalho, esta abordagem de software mostra que a ergonomia pode começar no ecrã e não no plástico.
O segundo problema era o espaço no ecrã. Em vez de comprar outro monitor, recorreu ao Spacedesk, que transforma um tablet antigo num monitor adicional sobre a rede local. A app instala um driver em Windows que cria um ecrã virtual, e o tablet liga-se como cliente pela app móvel. O lag não é nulo, por isso não serve para jogos, mas para dashboards, notas, chat e janelas estáticas é mais do que suficiente. Para quem já tem um iPad parado numa gaveta ou um tablet Android antigo, a relação custo-benefício é difícil de discutir.
Por fim, a webcam. Em vez de comprar uma nova, a solução foi usar o telemóvel como câmara com apps tipo DroidCam. A maioria dos smartphones atuais tem sensores e processamento de imagem muito melhores do que webcams USB de 50€ a 100€, e o truque passa por um suporte decente e uma ligação estável. O How-To Geek relata chamadas de vídeo com imagem nitidamente superior à de câmaras dedicadas de entrada de gama, o que diz tudo sobre a estagnação desse segmento. A limitação é óbvia: ficas sem telemóvel livre durante a chamada, mas para quem faz reuniões no mesmo sítio todos os dias é um compromisso aceitável.
O ponto em comum destas três soluções é simples: o Windows 10 e 11 continuam cheios de pequenos truques e integrações que quase ninguém explora, especialmente quando se juntam ao que já tens no bolso ou na gaveta. Antes de gastar 300€ num pack de “upgrades” de secretária, vale a pena olhar para apps como o Kando, serviços tipo Spacedesk e a câmara do próprio telemóvel. O mercado de acessórios vive de vender promessas de produtividade; estas ferramentas lembram que muitas dessas promessas já vêm incluídas, só não aparecem na caixa de nenhum gadget.
Fonte: How-To Geek
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