O topo de gama em Android sempre foi sinónimo de Galaxy Tab. Bom ecrã, bom processador, S Pen completo, bateria para vários anos. Segundo o Android Police, a linha continua competente, mas a cada geração recente a Samsung tira uma peça do puzzle e sobe um pouco mais o preço. O resultado é um produto menos completo para quem acompanha a série há anos.
O ponto de viragem foi o Galaxy Tab S9, lançado em 2023. Custava $799,99, cerca de ~735€, e entregava muito por esse valor. O modelo base de 11 polegadas trocou o LCD do Tab S8 por um AMOLED, alinhado com o painel de 12,4 polegadas que já existia no Tab S7+. Trazia o Snapdragon 8 Gen 2 for Galaxy, o mesmo chip dos Galaxy S23, e um S Pen com Bluetooth incluído na caixa, com Air Actions e disparo remoto da câmara. A marca prometia quatro grandes atualizações de Android e cinco anos de patches de segurança. Não eram ainda os sete anos que agora apregoa, mas em 2023 era uma proposta sólida, mesmo com o aumento de 100 dólares face ao S8.
Com o Galaxy Tab S10+, a Samsung mexeu no coração do aparelho. Trocou o Snapdragon por um MediaTek Dimensity 9300+ e matou o modelo base de 11 polegadas. De acordo com o Android Police, o salto de desempenho não foi dramático, mas a mudança de fornecedor de chip não caiu bem em quem se habituou à consistência Qualcomm esta década. Em contrapartida, o S10+ e o S10 Ultra ganharam um revestimento anti-reflexo no ecrã, que a Samsung dizia cortar reflexos de 5% para 2%, e passaram a ter baterias certificadas para 2.000 ciclos de carga, além de sete anos de atualizações. O S Pen com Bluetooth continuava na caixa, como se fosse garantido que aquela função ia durar.
Mesmo aí já se notava outra estratégia: quem queria algo mais barato era empurrado para o Tab S10 Lite, com LCD, chip Exynos 1380 e também bateria com 2.000 ciclos, um compromisso mais honesto para quem não quer gastar quatro dígitos num tablet. Mas o foco de prestígio, a série principal, estava a mudar de personalidade sem assumir isso frontalmente.
Foi no Galaxy Tab S11 que a tesoura se sentiu a sério. A Samsung trouxe de volta o modelo base de 11 polegadas, mas sem o revestimento anti-reflexo, reservado ao S11 Ultra. Pior, removeu o Bluetooth do S Pen em toda a linha. Adeus Air Actions, adeus comando remoto da câmara, as mesmas funções que o jornalista do Android Police usava desde o Tab S7+ e manteve no S9. A caneta passou a não precisar de carregamento e continua competente face a outras stylus, mas a conveniência não compensa perder truques que existiam num tablet de 2020 e num telemóvel recente, o Galaxy S25 Ultra, onde a marca fez o mesmo corte.
Ao mesmo tempo, as baterias também recuaram. Segundo rótulos de energia da UE citados pelo Android Police, o Tab S11 desce para 1.200 ciclos até aos 80% de capacidade, face aos 2.000 ciclos da geração S10. Traduzido: com uma carga completa por dia, falamos de cerca de 3,3 anos até a bateria começar a acusar o uso. E em abril de 2026, a Samsung subiu ainda o preço de referência, com o Tab S11 a passar de $799,99 para $899,99 (~825€) e o S11 Ultra de $1.199,99 para $1.299,99 (~1.190€). Menos longevidade de bateria, menos funcionalidades na caneta, e ainda assim mais 100 dólares em cima.
Enquanto isto, o mercado de tablets Android volta a animar, com propostas como os novos tablets Alexa da Amazon com Android completo a pressionar pelo lado do preço. Quem olha para a trajetória da linha Galaxy Tab vê um padrão claro: a Samsung capitalizou anos de boa reputação para ir cortando nos detalhes que fidelizavam o utilizador mais atento. A série continua “boa” em 2026, mas o que a distinguia está a ficar para trás, geração após geração, o que abre espaço para rivais ganharem precisamente pelo cuidado nesses detalhes.
Fonte: Android Police
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