A Sony decidiu voltar a puxar dos galões na linha Walkman com o NW‑WM1ZM3, um leitor de áudio hi‑res que custa $5.900 lá fora, qualquer coisa como ~5.400€. Não é um erro tipográfico. É um leitor dedicado de música, sem modem 5G, sem chamadas, sem câmara. E como descreve o New Atlas, é o Walkman mais caro que a marca alguma vez pôs à venda.
O preço vem embrulhado numa lista de argumentos muito específica. O NW‑WM1ZM3 usa um chassis em cobre isento de oxigénio, difícil de maquinar, com banho de ouro nas superfícies exteriores. A placa de circuito fica literalmente “sanduichada” entre dois blocos desse metal, numa tentativa de controlar vibrações e ruído elétrico. Por dentro há fontes de alimentação separadas, condensadores seleccionados a dedo e uma topologia de áudio afinada para ficheiros de alta resolução, incluindo suporte robusto para DSD, com o motor DSD Remastering revisto.
É, na prática, um tijolo luxuoso a servir de abrigo para a tecnologia S‑Master HX da marca, o amplificador digital que a Sony empurra há anos no topo de gama. Segundo o New Atlas, há também melhorias nas saídas: mantêm-se as fichas de 4,4 mm balanceada e 3,5 mm, há um slot microSD para quem quiser carregar bibliotecas absurdas de FLAC e DSD, e a memória interna chega para não depender da cloud. A interface continua a ser Android, com um ecrã agora maior, de 5,5 polegadas, mas ainda com uma versão do sistema que não vai impressionar ninguém habituado a um smartphone recente.
É aqui que o contraste salta à vista. Do lado da engenharia analógica e da gestão de ruído, a Sony está claramente a falar para o nicho de audiófilos obsessivos que alinham em pagar mais por cada centímetro de cobre e cada parafuso desacoplado. Do lado digital, continua a ser um leitor com Android pesado, que vai receber poucas ou nenhumas atualizações e vive num mundo onde qualquer telemóvel médio já faz streaming lossless com DACs respeitáveis e emparelha com auscultadores que custam menos de um décimo deste Walkman. Basta lembrar que hoje se encontram earbuds com ANC competente por bem menos, de propostas reparáveis como os Fairbuds 2 a modelos com fios e cancelamento ativo da Bose.
Nas contas frias, o NW‑WM1ZM3 é um produto de vitrina. Serve para lembrar que a Sony ainda sabe construir objetos de luxo para quem ouve música sentado, com auscultadores topo de gama ligados por cabo grosso e playlists em DSD guardadas em cartões microSD numerados. Para o resto das pessoas, o salto de qualidade face a um bom DAC portátil ligado ao telemóvel é difícil de justificar por este valor. Não há preço nem data para a Europa, mas dificilmente ficará abaixo dos 5.000€, o que coloca este Walkman no mesmo território de sistemas estéreo completos.
Há mérito em ver uma marca grande insistir num leitor dedicado quando o mundo encolheu tudo para o smartphone e para o streaming com compressão variável. Mas o NW‑WM1ZM3 parece mais um fetiche de engenharia do que uma resposta ao mercado real. É um Walkman pensado para quem já não precisa de perguntar quanto custa, só se toca melhor o silêncio entre as notas.
Fonte: New Atlas
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