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Even Realities G2: bons óculos, más ideias para os controlar

A segunda geração dos óculos inteligentes da Even Realities melhora o hardware, mas estraga o uso com um anel caro e controlos teimosos. Quando o interface falha, o resto pouco interessa.

Even Realities G2: bons óculos, más ideias para os controlar
Ilustração digital | Pixel Magazine

Os Even Realities G2 são um daqueles casos clássicos de hardware afinado estragado por más decisões de interface. Segundo o Engadget, a nova geração destes óculos inteligentes está mais leve, mais brilhante e mais resistente, mas o grande truque da Even para os tornar mais fáceis de usar, um anel inteligente opcional, acaba por complicar tudo.

A proposta continua a ser a mesma: óculos sem câmara frontal que funcionam como alternativa a um smartwatch. Dois prismas waveguide nas lentes projectam notificações, manchetes, navegação curva a curva e tradução em tempo real no campo de visão. Também podem servir de teleponto e de porta de entrada para falar com agentes de IA. O modelo base custa 599$, cerca de ~550€, em dois formatos de armação e três cores. As lentes graduadas começam nos $159 (~145€) e podem subir até $349 (~320€) consoante a prescrição.

Do lado técnico, há ganhos claros face aos G1. A resolução sobe para 640 x 350 píxeis por olho, o campo de visão passa para 27,5 graus e a taxa de actualização salta de 20Hz para 60Hz. O brilho de pico chega aos 1.200 nits, a bateria é maior e os microfones passam de dois para quatro. A certificação IP65 é outra diferença relevante, já que a primeira geração era, na prática, apenas resistente a uns salpicos ocasionais.

Os controlos em si é que levantam problemas. A Even acrescentou touchpads nas pontas das hastes, atrás das orelhas. Em engenharia faz sentido, ajuda a equilibrar o peso e evita braços demasiado grossos. Na prática, controlar os óculos ali atrás parece pouco natural e pouco intuitivo, sobretudo para quem não tem a melhor noção da posição do próprio corpo. Para contornar isso, a marca empurrou a sua outra novidade, o anel inteligente R1, como comando remoto dedicado.

O R1 é vendido em separado por $249 (~230€) e só funciona com os G2. É um anel em cerâmica de zircónia, pensado para o dedo indicador, com uma pequena superfície tátil ao alcance do polegar. Além de servir de comando, tem certificação IP68 e monitoriza passos, frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca, SpO2, temperatura corporal e sono. Todos esses dados são enviados para os óculos, que apresentam indicadores de “bem‑estar” e um índice de produtividade calculado a partir dessas métricas.

O problema, descreve o jornalista do Engadget, é que a área tátil do anel é demasiado pequena e o esquema de gestos demasiado ambicioso para o que o hardware aguenta. Na teoria, o anel reconhece deslizar para cima e para baixo, toque e pressão longa, algo ao nível dos controlos de uns AirPods. Na prática, abrir menus e navegar pela interface torna-se frustrante, com toques que não são reconhecidos ou são interpretados ao engano. Resultado: um par de óculos leve, rápido e com o “conjunto ideal” de funções acaba sabotado por controlos inconsistentes e caros. Num segmento onde já existem alternativas como os Ray‑Ban Meta ou os Xreal Aura, isto é pedir ao utilizador que pague preço premium por uma UX que ainda soa demasiado a beta.

Fonte: Engadget

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