O Linux 7.3 já está cá fora. Linus Torvalds anunciou ontem a nova versão do kernel com o pacote habitual de centenas de patches e algumas mudanças de fundo que interessam sobretudo a quem gere servidores e infraestruturas, mas que acabam por se sentir em quase todas as distros nos próximos meses.
Segundo o 9to5Linux, o destaque vai para um novo mecanismo de sandboxing baseado num pseudo-sistema de ficheiros, pensado para isolar melhor processos e limitar o estrago de código com mau comportamento. Há também suporte em Rust para sistemas PowerPC, algo que reforça a aposta de longo prazo em Rust dentro do kernel, e suporte ao userfaultfd para seguir de perto o conjunto de memória usada por máquinas virtuais, útil em clouds que vivem a espremer cada gigabyte de RAM.
No lado dos sistemas de ficheiros, o Linux 7.3 distribui atenções: SMB ganha encriptação por partilha em SMB3 e suporte RDMA melhor protegido, o servidor SMB passa a falar fluentemente com o Time Machine da Apple, o NFS recebe delegações de diretoria para melhorar cache, o OverlayFS passa a suportar id-mapped mounts e o NTFS3 ganha fluxos de dados alternativos. Em paralelo, há melhorias de desempenho no Btrfs, EXT4 e FUSE com io_uring, mais afinamentos na montagem de vários sistemas de ficheiros a partir de um único dispositivo de bloco e na forma como o tempo de CPU é distribuído quando se usa group scheduling.
A segurança não ficou de fora. O kernel 7.3 introduz um novo parâmetro sysctl para controlar o acesso, a partir de espaço de utilizador, à API criptográfica AF_ALG, comprime políticas no AppArmor para poupar memória e endurece a validação de programas BPF assinados. O módulo Landlock passa a permitir definir o sinalizador “no new privileges” diretamente para o processo chamador. São “parafusos” que apertam devagar, mas vão na direção certa num sistema que já é suficientemente complexo para não se querer mais uma superfície de ataque gratuita.
Como sempre, há uma longa lista de drivers novos ou melhorados. O 9to5Linux refere suporte para GPUs Adreno A704, adaptadores gráficos Barco baseados em AMD, controladores para o novo Steam Controller, UFS 4.0 HS-Gear5 da Intel e uma série de portáteis recentes, de Acer Aspire a vários HP, Lenovo e Huawei, que recebem correções em áudio e rede. Há ainda trabalho em VRAM para GPUs de baixa gama e num novo subsistema cpuidle para arquiteturas s390, o mundo IBM System z. Nada disto vende máquinas sozinho, mas reduz aquele clássico de Linux: tudo funcionar menos uma peça obscura de hardware.
Para quem corre Linux em portáteis mais modestos ou máquinas de trabalho, os ganhos vão aparecer de forma indireta, à medida que as distros integrarem o kernel 7.3: melhor gestão de energia, menos falhas estranhas com controladores recentes, pequenas melhorias de desempenho em Btrfs ou EXT4. Em sistemas pensados como alternativa a Windows, como os que analisámos em comparações entre Zorin, Mint e Ubuntu, a diferença raramente se lê nas notas de lançamento, sente-se mais na estabilidade ao fim de uns meses.
Quem quiser testar já pode descarregar o código-fonte a partir do site oficial kernel.org e compilar o seu próprio kernel. O jornalista do 9to5Linux, no entanto, lembra o conselho que continua sensato para a maioria das pessoas: deixar o trabalho sujo para as distros e esperar que o Linux 7.3 chegue aos repositórios estáveis. Torvalds deve abrir a janela de integração do Linux 7.4 nos próximos dias, com o primeiro Release Candidate previsto para 1 de novembro e lançamento final apontado a finais de dezembro. O ritmo mantém-se feroz, mesmo que o impacto visível para quem só quer um portátil que não encrava pareça discreto a cada versão.
Fonte: 9to5Linux
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