Como reciclar um tablet Android velho como mesa de desenho no PC
Um par de apps transforma um tablet encostado numa mesa digital sensível à pressão para o computador. Em poucos minutos e sem entrar em guerras de drivers.
Um par de apps transforma um tablet encostado numa mesa digital sensível à pressão para o computador. Em poucos minutos e sem entrar em guerras de drivers.
Um tablet Android esquecido na gaveta pode valer mais do que os 40€ que rendia no OLX. Segundo o How-To Geek, com duas apps da Codonic é possível usá-lo como uma mesa de desenho à la Wacom, ligada ao computador, com direito a sensibilidade à pressão. O processo demorou menos de cinco minutos a quem testou e não envolve cabos exóticos nem truques obscuros.
A solução gira em torno de dois componentes: uma app host para Mac ou Windows e uma app cliente no Android. O autor instalou o programa PadMac no Mac, deu as permissões pedidas e reiniciou a aplicação. Depois instalou a app PadDroid no tablet Android, abriu, e a ligação fez-se automaticamente porque os dois equipamentos estavam na mesma rede Wi-Fi. Nada de emparelhamentos Bluetooth manhosos, nada de configurar endereços IP à mão.
Importa sublinhar que isto não é só espelhar o ecrã e aceitar toques básicos. As apps tiram partido do digitizer do tablet e da caneta ativa, com suporte para pressão como numa mesa de desenho dedicada. No teste do How-To Geek foi usado um OnePlus Pad 2 com caneta Stylo 2, mas a mesma lógica aplica-se a um Galaxy Tab com S Pen ou a qualquer iPad compatível com Apple Pencil, desde que se use o lado iOS do sistema. Sem caneta ativa, o resultado desce imediatamente para a categoria brinquedo.
Do lado do computador, o sistema apresenta-se como um dispositivo de introdução de dados apontador, o que significa que funciona com praticamente qualquer app de desenho ou edição: de Photoshop a Krita ou GIMP. A Codonic explica no seu site oficial como o Pad gere a área ativa e o mapeamento do ecrã, e há alguns ajustes finos possíveis, como limitar o tablet a uma parte do monitor ultra-wide ou trocar botões virtuais. A integração com macOS é um ponto sensível, já que as políticas de segurança da Apple costumam complicar este tipo de software, mas aqui o processo resumiu-se a autorizar a app em Acessibilidade e Entrada de monitorização.
Na prática, quem desenhou para o How-To Geek considera o resultado suficientemente próximo de uma Wacom de entrada de gama para uso casual, com traço fluido e sem latência dramática na mesma rede doméstica. Não vai substituir uma mesa profissional de centenas de euros num estúdio, até porque o tamanho e acabamento do vidro do tablet não foram pensados para horas de ilustração seguida. Mas para quem quer rabiscar, anotar PDFs ou retocar fotos de forma mais precisa do que com o rato, reciclar um tablet antigo é uma proposta difícil de ignorar.
Num mercado onde um tablet Android básico custa facilmente 150€ e uma mesa de desenho decente sobe rápido acima disso, reaproveitar hardware parado com software inteligente é das poucas decisões tecnológicas que fazem sentido económico e ambiental ao mesmo tempo. E lembra que, antes de comprar mais um gadget, talvez valha a pena abrir a gaveta de tralha tecnológica e perguntar se o que falta é mesmo hardware ou apenas uma boa app.
Fonte: How-To Geek
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