Se tens um Samsung Galaxy recente com One UI 6 ou superior, há boas probabilidades de o Auto Blocker já estar a trabalhar em silêncio no teu telemóvel. Nos modelos que já vêm de fábrica com One UI 6.1.1 ou mais recente, esta função de segurança vem ativa por defeito e passa a decidir, por ti, que apps, comandos USB e imagens são dignos de confiança.
De acordo com o Engadget, a lógica é simples: fechar a porta principal por onde entra malware em Android, as instalações de ficheiros APK fora da Play Store e da Galaxy Store. O Auto Blocker também tenta travar comandos maliciosos enviados por cabo USB, algo relevante se costumas carregar o telemóvel em portas públicas, e filtra imagens suspeitas em apps de mensagens como WhatsApp, Telegram ou as mensagens da própria Google e da Samsung. É um género de antivírus de bastidores, integrado no sistema, que evita muitos problemas a quem nem sabe que isto existe.
Para quem quer ir mais longe, a Samsung tem ainda o modo “Restrições máximas”. Aí o telemóvel passa para um perfil quase paranoico: bloqueia apps com acesso de administrador e perfis de trabalho, desativa ligações 2G, impede a reconexão automática a redes Wi-Fi não seguras e remove a geolocalização das fotos que partilhas. Segurança a sério, à custa de conveniência e de alguma flexibilidade que muitos utilizadores avançados dão por garantida.
É precisamente aqui que a coisa começa a chatear. Quem instala apps open source em APK, usa ferramentas de developer ou prefere lojas alternativas esbarra neste muro. A Epic Games chegou a processar a Samsung, como lembra o Engadget, acusando o Auto Blocker, em conjunto com os fluxos da Play Store e da Galaxy Store, de tornar descarregar o Fortnite num percurso de mais de 20 passos. O processo acabou com um acordo entre as empresas, mas a funcionalidade de segurança ficou onde estava. Não é difícil perceber porquê: a Samsung responde perante milhões de utilizadores comuns, não perante a minoria que gosta de mexer nas entranhas do Android.
A boa notícia é que nada disto é irreversível. Se precisares de fazer sideload de uma app ou correr uma ferramenta de desenvolvimento, podes ir a Definições > Segurança e privacidade > Auto Blocker e desligar o interruptor. O sistema pede autenticação, o que evita que alguém com acesso físico ao teu telemóvel o desligue para instalar lixo. Em versões mais recentes da One UI, o utilizador pode ainda definir que o Auto Blocker se volte a ligar automaticamente ao fim de 30 minutos, tempo suficiente para instalares o que queres sem te esqueceres depois de reativar a proteção.
A pergunta que interessa é simples: deves manter isto ligado? Para a esmagadora maioria das pessoas, sim. Autorizas menos coisas à primeira, tens menos hipóteses de estragar tudo por engano. O compromisso sensato é deixar o Auto Blocker sempre ativo e só o desligar, de forma temporária, quando precisas mesmo de instalar algo fora das lojas oficiais. A realidade é que, mesmo com esta camada extra, o Android continua longe de ser um jardim murado. Quem quer liberdade total consegue sempre encontrá-la, mas o preço é carregar sozinho o risco. Cada vez mais, os Galaxy assumem a escolha por ti: menos liberdade bruta, mais segurança silenciosa.
Fonte: Engadget
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