Libreboot 26.10 traz UEFI completo e suporte para mais 233 Chromebooks
Nova versão do firmware livre reforça o suporte UEFI, alarga a lista de PCs compatíveis e aproxima-se ainda mais de ser um substituto real para BIOS e UEFI proprietários.
Nova versão do firmware livre reforça o suporte UEFI, alarga a lista de PCs compatíveis e aproxima-se ainda mais de ser um substituto real para BIOS e UEFI proprietários.
O arranque do computador continua a ser um dos pontos mais fechados de quase qualquer máquina. O Libreboot 26.10, que chega hoje, tenta abrir mais uma parte desse buraco negro: passa a oferecer suporte UEFI completo e expande de forma agressiva o leque de hardware compatível, sobretudo no universo dos Chromebooks.
Segundo o 9to5Linux, esta versão surge mais de oito meses depois do Libreboot 26.01 e é tudo menos uma atualização de rotina. Há suporte para desktops Dell OptiPlex 5050 SFF e 3040 Micro, para a motherboard Supermicro X11SSH-F e para portáteis Lenovo ThinkPad X280 e X270. A isto somam-se 233 Chromebooks Intel/AMD oficialmente suportados, o que transforma o projecto numa alternativa séria para quem quer libertar máquinas originalmente pensadas para viver amarradas ao ChromeOS.
O outro grande passo é o suporte UEFI completo, assente em payloads EDK2 (o firmware UEFI open source da TianoCore) ativados por omissão em todas as boards Intel e AMD com pelo menos 4 MB de flash. Isto permite, por exemplo, arrancar via iPXE diretamente a partir do EDK2, e traz builds EFI do GRUB e do SeaBIOS dentro do próprio EDK2 para manter compatibilidade com instalações Linux e BSD já existentes. Na prática, reduz-se o fosso em relação ao comportamento a que se está habituado em firmware proprietário, sem abdicar do controlo e auditabilidade do código.
Há decisões estruturais importantes: o U-Boot deixa de ser usado como payload em x86, sendo substituído por EDK2, embora continue presente em Chromebooks ARM64. O projecto simplificou ainda a configuração de arranque do GRUB, adicionou um keymap dinamarquês e passou a incluir ImageMagick como dependência. Menos glamoroso mas crucial é o suporte SMMSTORE em todas as boards com EDK2, que permite guardar definições de arranque de forma persistente sem ter de regravar o firmware. É o tipo de pormenor que aproxima o Libreboot daquilo que qualquer utilizador espera de um firmware moderno: mexer nas opções uma vez e esquecer.
Ao nível do hardware de base, as motherboards AMD Fam15h, como a ASUS KGPE-D16, passam a usar o fork 15h.org de coreboot, que traz inicialização baseada em AMD AGESA, melhor arranque de CPU e RAM, suporte para quantidades maiores de memória e correções em IOMMU e TPM. As boards Intel Kabylake recebem uma modificação ao Intel Flash Descriptor que permite usar CPUs de seis e oito núcleos através de um simples pin mod. Para quem montava servidores caseiros com velhas boards de empresa, isto abre espaço a upgrades baratos que o fabricante nunca planeou suportar.
Do lado das versões integradas, o Libreboot 26.10 inclui agora GRUB 2.16, EDK2 26.09.2, uma versão recente do Flashprog e um coreboot atualizado a setembro de 2026. É um reminder que o projecto não vive num universo paralelo: acompanha o ritmo do desenvolvimento upstream em vez de ficar preso a snapshots antigos. Os detalhes finos estão nas notas oficiais desta versão, mas a linha geral é clara, menos componentes redundantes, mais foco em UEFI aberto e mais máquinas a sair da prisão do firmware fechado. Num momento em que distribuições como o Ubuntu 26.10 chegam a arquiteturas alternativas, ver o arranque x86 a abrir-se também é um bom sinal de que o controlo do utilizador continua na mesa, mesmo que ainda longe de ser o padrão.
Fonte: 9to5Linux
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