LINUX

Armbian 26.5 traz Linux 7.0

Nova versão da distro para ARM foca-se em kernels recentes, reformulação do subsistema de desktop e suporte para mais placas, incluindo RISC-V e uma lista generosa de boards obscuras.

Armbian 26.5 traz Linux 7.0

Armbian 26.5 já está disponível e a lista de mudanças é daquelas que só assusta à primeira vista. Por baixo, a ideia é simples: pôr o máximo de hardware ARM em dia com kernels recentes, reorganizar o desktop e limpar o lixo técnico acumulado em anos de scripts.

Comecemos pelo hardware, porque é aí que Armbian costuma justificar a existência. A versão 26.5 acrescenta suporte para mais uma mão-cheia de boards pouco óbvias fora da bolha: Arduino UNO Q (QRB2210), Mekotronics R58S2, NanoPC-T6 LTS Plus, Ariaboard Photonicat 2, EByte ECB41-PGE, NORCO EMB-3531, módulos Cainiao CNIoT-CORE, SpacemiT MUSE Book, EasePi A2/R2, TQ-Systems TQMa8MPxS/TQMa93xxLA, devkits reComputer da Seeed e várias boards Qidi X. Para quem compra caixas chinesas com SoC exótico e depois descobre que a imagem oficial é medíocre, Armbian continua a ser o seguro de vida.

O destaque técnico é a modernização de kernel e U-Boot em várias famílias de SoC. Há suporte para a série Linux 7.0 em Sunxi, Meson64, Rockchip64, Raspberry Pi 4 Model B, SpacemiT e alvos UEFI, com um novo ramo bleeding-edge a seguir o próximo Linux 7.1 em Rockchip64 e Meson64. Na prática isto significa drivers mais recentes, melhor gestão de energia e menos remendos locais. Do lado do bootloader, U-Boot sobe para a versão 2026.04 e alarga o suporte a uma carrada de boards Rockchip e afins, de NanoPC-T6 e NanoPi M5/R76S a Rock 5 ITX e ODROID-HC4/N2, com direito a correções Btrfs zstd e extras em LWIP. Não é glamoroso, mas é o tipo de trabalho que decide se uma board arranca ou fica num loop eterno.

Mais visível para quem usa Armbian como desktop é a reforma do subsistema gráfico. O velho tree config/desktop/ foi aposentado e entrou uma arquitetura em camadas, definida em YAML dentro do armbian-config. Resultado: gestão de sabores de desktop mais previsível e menos hacky. Com isto chegam builds com KDE Plasma e MATE, imagens baseadas em KDE neon e suporte para o gestor de janelas i3. A reestruturação também estende Xfce, MATE, i3, Xmonad, Enlightenment e Cinnamon a ARMHF (ARM Hard Float) e RISC-V 64-bit, algo relevante para quem anda a brincar com SBC RISC-V que começam agora a chegar ao retalho europeu.

Há ainda um conjunto de pequenos grandes detalhes que mostram maturidade de projeto. No nível intermédio entram runtime Vulkan e o driver panthor para GPU, no perfil mínimo aparecem libcamera/v4l e alsa-ucm-conf, e há uma experiência de primeiro arranque personalizada em Chromium e Firefox. Um mecanismo de APT pinning força browsers e VS Code a passarem pelo repositório apt.armbian.com, o que dá mais controlo sobre versões e patches. Novos módulos de configuração cobrem code-server, Dozzle, Wallos, gestão de pools ZFS, edição de device tree e gestão de memória. É o tipo de integração que num Debian vanilla terias de montar à mão.

Do lado da infraestrutura, a equipa migrou o Armbian Imager para REST v1, com suporte de flash QDL para dispositivos Qualcomm EDL, automatizou escalonamento de runners Hetzner, montou testes multi-arquitetura em qemu-user, feedback inline com ShellCheck e uma gate de validação de configuração de boards. Para fechar o ciclo, o recente Ubuntu 26.04 LTS Resolute Raccoon foi integrado em toda a matriz de builds, pacotes e nightly. Para quem em Portugal usa SBC em laboratório, indústria leve ou simplesmente como mini-servidor em casa, isto tudo significa menos bricolage e mais sistema que se comporta como distribuição a sério. Armbian continua a ser aquele Debian/Ubuntu para ARM que a Canonical e a própria Debian raramente têm tempo (ou vontade) de fazer.

Fonte: 9 to 5 Linux

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