A Google já tinha mostrado o Fitbit Edge há semanas, mas só agora detalha onde é que este tracker quer realmente encaixar. Hoje fica claro o argumento: é o primeiro Fitbit com bateria substituível pelo utilizador, um regresso em força ao ecrã OLED e uma espécie de Pixel Watch em formato cápsula para quem não quer um relógio completo no pulso.
Segundo o Wired, o Edge custa $179, o que dá algo como ~165€, e posiciona-se entre as bandas mais simples e o Pixel Watch. Mantém compatibilidade com Android e iOS através da app Google Health e entra em pré-venda já hoje, com lançamento marcado para 27 de outubro. Em termos de design, abandona a linguagem minimalista do Fitbit Air sem ecrã e volta à fórmula Charge, agora com um corpo mais arredondado e um ecrã de 1,34 polegadas que substitui o painel de 1,04 polegadas do Charge 6. Para quem passa o treino inteiro a espreitar métricas, este ganho de área não é detalhe estético, é ergonomia.
O destaque técnico mais óbvio é a bateria substituível pelo utilizador, uma estreia na família Fitbit. Isto encaixa que nem uma luva nas novas regras da União Europeia sobre baterias removíveis e na estratégia de reparação que a Google já assumiu com o Pixel Watch. A diferença aqui é prática: em vez de mandar o wearable para reciclagem ao fim de três ou quatro anos, o objetivo é manter o mesmo Edge vivo com uma bateria nova. A dúvida é se a Google vai garantir preços e disponibilidade de baterias e serviços em toda a Europa ou se esta promessa de reparação fica dependente do código postal.
Por dentro, o Edge vai buscar muitas das peças ao ecossistema Pixel Watch. Traz altímetro para medir desnível, GPS integrado, sensores para electrocardiograma, monitorização avançada de sono e um novo sensor de temperatura de pele de longo alcance. A autonomia anunciada mantém-se nas sete dias, significativamente mais do que os dois dias típicos de um smartwatch generalista, e o tempo de carregamento baixa para cerca de 90 minutos, meio hora mais rápido do que o velho Charge 6. Ou seja, continua a ser um dispositivo pensado para viver no pulso, inclusive durante a noite.
No software, a Google puxa do trunfo IA: quem adianta o detalhe é o Wired, que fala de um sistema de detecção automática de atividades baseado em Gemini capaz de identificar até 100 tipos de treino e suportar mais de 50 modos de exercício. Em teoria, é o fim de andar a iniciar manualmente sessões de corrida, caminhada ou bicicleta sempre que se sai de casa. Com a subscrição Google Health Premium, o Edge também passa a mostrar tendências de tensão arterial sem calibração manual e tendências de resistência à insulina sem análises ao sangue, funcionalidades já anunciadas ao lado do Pixel Watch 5 e que agora chegam ao resto da linha. A mensagem é clara: o hardware médio fica competente, a medicina de bolso fica atrás de um paywall.
Nem tudo, porém, é subida de nível. O Edge perde NFC e, com ele, os pagamentos por aproximação via Google Wallet, algo que o Charge 6 oferecia. Para um wearable que a própria Google vende como passo em frente face aos Fitbits básicos, esta ausência é difícil de justificar, sobretudo numa altura em que pagar com o pulso no autocarro de manhã é quase tão natural como olhar para o ritmo cardíaco. Continua a ser um upgrade sério face ao Air e ao Charge 6, como já se antecipava nos primeiros rumores de que o Fitbit Edge vinha corrigir os erros do Air, mas a sensação é que a Google está a montar uma escada de funcionalidades onde cada degrau custa mais qualquer coisa.
Para quem quer um wearable leve, com boa autonomia, métricas avançadas de saúde e compatível com Android e iOS, o Edge parece finalmente ser o tal meio-termo que a marca andava a prometer, como já se apontava quando se dizia que o Fitbit Edge podia ser o meio-termo em falta. A bateria substituível e a aposta na detecção automática de treinos marcam tendência num mercado que vivia obcecado com ecrãs maiores e notificações. Falta saber se os utilizadores aceitam viver sem pagamentos no pulso e até que ponto estão dispostos a pagar uma mensalidade para desbloquear a parte realmente ambiciosa da saúde digital.
Fonte: Wired
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