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Calibre 9.16 melhora leitura em voz alta, PDFs e suporte Kobo

A nova versão do gestor de e-books afina a leitura em voz alta, trata melhor PDFs complicados e acelera bibliotecas grandes. Continua a ser o canivete suíço obrigatório para quem leva os livros digitais a sério.

Calibre 9.16 melhora leitura em voz alta, PDFs e suporte Kobo
Imagem ilustrativa | Pixel Magazine

Calibre não é bonito, não é novo e não vive obcecado com tendências de design. Mas continua a ser a ferramenta que segura o mundo dos e-books pelas pontas. A versão 9.16, lançada hoje por Kovid Goyal, reforça precisamente o que o torna indispensável: compatibilidade, controlo e mais umas quantas arestas limadas que só se notam quando fazem falta.

Segundo o 9to5Linux, a grande novidade está na funcionalidade Read Aloud, que ganha suporte para vozes Kokoro de alta qualidade. O objetivo é simples, soar muito mais natural do que as vozes Piper usadas até aqui, sobretudo em inglês. Para quem usa Calibre como leitor principal no portátil ou desktop, isto aproxima o software de um verdadeiro leitor áudio de textos, sem depender tanto das soluções do sistema operativo.

Há também melhorias sérias no lado dos PDF, o formato mais teimoso do mundo digital. A entrada de PDF passa a suportar texto da direita para a esquerda e lida melhor com páginas em multi-coluna, algo que é comum em papers académicos e revistas digitalizadas. O programa passa ainda a ler imagens em formato AVIF e oferece mais controlo no navegador de etiquetas, que agora pode ordenar etiquetas hierárquicas “vazias” como pastas antes das restantes. É aquele tipo de pormenor que interessa a quem tem milhares de livros arrumados com rigor quase bibliotecário.

A ferramenta Edit Book ganha capacidade para ignorar problemas de um tipo específico, mostrar que entradas da ToC (Table of Contents) estão no ficheiro aberto e atualizar automaticamente seletores CSS quando corrige IDs inválidos. O visualizador de e-books permite agora mostrar a secção-pai do índice em cabeçalhos ou rodapés, definir margens em unidades métricas quando se imprime para PDF e guardar até 1 MB de dados por livro de forma persistente. Também reage melhor a temas escuros e atualiza mais depressa o valor “páginas da edição em papel”. Nada disto é vistoso, mas é o tipo de estabilidade e previsibilidade que se exige a uma biblioteca digital séria.

Na conversão, as passagens de EPUB 3 para EPUB 3 passam a preservar IDs em elementos de navegação, para que os links internos continuem a funcionar. A lista de livros respeita agora o alinhamento horizontal em colunas só com ícones, e a grelha de capas deixa de encolher em cenários específicos. Do lado do PDF Output, foi corrigida perda de conteúdo no fim de ficheiros HTML com layout em colunas, bem como uma regressão da série 9.x que fazia falhar conversões de livros com escrita vertical. Tudo somado, menos sustos quando se despejam coleções inteiras num novo reader.

Há mais afinamentos de conveniência: procura de regras no Tag mapper e em transformações HTML/CSS, remoção de entradas individuais do histórico de pesquisa, reset do layout da janela principal e exportação/importação de jogos guardados no modo “Create your own Adventure”. O suporte para dispositivos Kobo é atualizado para firmwares recentes, o output DOCX passa a ter imagens clicáveis dentro de links e a preservar espaços não separáveis, e operações em bibliotecas grandes, como arranque, remoção em massa ou ordenação por séries, ficam mais rápidas. O Content server é endurecido e melhora o suporte para browsers antigos na vista móvel.

Calibre 9.16 acrescenta ainda novas fontes de notícias e ajusta várias existentes, mantendo vivo um dos truques menos falados do programa, o download automatizado de jornais e revistas. Quem quiser mergulhar na lista completa de mudanças pode passar pelas notas de lançamento oficiais. E, perante o estado fechado dos leitores dedicados, de Kindles a Kobos, continua a ser difícil justificar não ter este gestor instalado em qualquer máquina onde se leia a sério.

Fonte: 9to5Linux

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