Quem vive a gravar cartões microSD para um Raspberry Pi sabe que a fiabilidade da ferramenta vale mais do que qualquer interface bonita. A nova versão do Raspberry Pi Imager, a 2.0.12, chegou hoje e mexe precisamente em três sítios críticos: rede, desempenho de escrita e segurança, como detalha o 9to5Linux.
Comecemos pelo instalador de rede embutido, aquele modo que descarrega o sistema operativo diretamente da internet sem passar por ficheiros ISO locais. O Raspberry Pi Imager passa agora a esperar por um endereço IP utilizável em vez de assumir que o simples “link up” da porta de rede significa que está tudo pronto. Antes, PHYs mais lentos a negociar a ligação, como o chip MXL86110 da revisão 1.2 do Raspberry Pi 5, podiam ser ignorados na primeira verificação. Esta alteração parece pequena mas é o tipo de detalhe que decide se um laboratório de aula inteira arranca à primeira ou fica preso a tentar perceber porque é que metade das placas não instala nada.
O mesmo instalador de rede ganhou ainda mais três ferramentas úteis: acerta o relógio a partir de um servidor da Raspberry Pi antes de o Imager arrancar, tenta voltar a obter a lista de sistemas passados 30 segundos se algo falhar, permite autenticar no Raspberry Pi Connect com um código de dispositivo ou QR code e consegue importar chaves públicas SSH a partir de um utilizador GitHub. Para quem organiza clusters de Pis ou gere máquinas espalhadas por casa, isto encurta bastante o ritual de pós-instalação e puxa a ferramenta oficial para perto do que muitos andavam a fazer à mão com scripts.
Do lado da escrita dos cartões, a versão 2.0.12 recusa agora downloads truncados ou demasiado curtos em vez de os despejar cegamente para o cartão como se estivessem completos. Em Linux, passa também a usar escrita sequencial com o io_uring, a interface moderna do kernel para I/O assíncrono, o que em teoria deve reduzir latências e tornar o processo mais suave, sobretudo em discos e leitores USB mais modestos. Em macOS, há melhorias na forma como o programa lida com unidades lentas. Não é a espécie de mudança que se mostre em gráficos vistosos, mas é o tipo de robustez que faz a diferença entre um cartão que arranca sempre e um que decide corromper-se ao fim de duas semanas.
Há ainda uma ronda de correções de segurança que merece atenção. Segundo o 9to5Linux, foi fechada uma vulnerabilidade de symlink-following na criação do ficheiro de definições que podia permitir ao utilizador root criar esse ficheiro em caminhos arbitrários. Foram também corrigidos problemas para garantir que chaves SSH e exportações são lidas e escritas como o utilizador que invoca a aplicação. Pelo meio, a equipa afinou detalhes que afectavam directamente quem usa WPA3: as frases Wi-Fi deixam de ser guardadas como chave derivada via PBKDF2 e passam a ser guardadas tal como são introduzidas, o que evita quedas ou falhas de autenticação forçadas por regressos a WPA2. E já agora, o armazenamento eMMC interno deixa de aparecer na interface como se fosse um leitor de cartões SD, o que causava confusão em muitos portáteis recentes.
Curiosamente, há também um lado de internacionalização que toca o universo lusófono: um bug que impedia o carregamento da tradução em português do Brasil foi corrigido, tal como acontecia com o chinês tradicional. Nada impede que se mantenha a interface em inglês, mas uma ferramenta oficial que falha a tradução para uma língua maioritária deixava um sinal de desleixo que não fazia sentido em 2026. Quem quiser ir ao detalhe técnico pode espreitar a página desta versão no repositório GitHub do Raspberry Pi Imager. O programa está disponível em formato AppImage universal para 64-bit e ARM64, além dos pacotes DEB para Raspberry Pi OS e Debian/Ubuntu. Para quem já usa o Pi como router, servidor caseiro ou laboratório de testes, como temos visto noutras utilizações avançadas do Raspberry Pi, esta atualização é menos fogo de artifício e mais aquele ajuste cuidadoso que evita dores de cabeça meses depois.
Fonte: 9to5Linux
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