LINUX

COSMIC 1.0.15 afina desktop da System76

Nova versão do ambiente gráfico em Rust corrige o modo Big Picture da Steam, melhora atalhos e prepara terreno para um COSMIC 2.0 bem mais ambicioso.

COSMIC 1.0.15 afina desktop da System76

O COSMIC 1.0.15 já saiu e traz uma daquelas correções que só dás valor quando falham: suporte para várias janelas em ecrã inteiro por espaço de trabalho. Na prática, isto significa que o modo Big Picture da Steam deixa de se baralhar com outros jogos ou apps em full-screen, algo que quem usa Linux para jogar conhece bem demais. Pequena mudança, grande irritação que desaparece.

Esta versão do ambiente de trabalho em Rust da System76, usado por omissão no Pop!_OS, foca-se sobretudo em polir arestas. Há melhorias na deteção de apps por MIME no COSMIC Files, uma nova opção para controlar o comportamento de “roubo de foco” via ativação XDG, e um detalhe que deve agradar a quem vive no terminal: o COSMIC Term passa a permitir abrir novas janelas no diretório actual. No Player, podes finalmente configurar a velocidade de reprodução, algo básico que muitos frontends continuam a ignorar.

Do lado das apps de sistema, há mais afinações discretas: o COSMIC Store agora abre pacotes RPM, o que é útil para distros que não vivem só de DEB ou Flatpak, o OSD de brilho foi melhorado, o motor de renderização SVG do Launcher foi afinado e os menus de contexto Wayland em apps como Files, Term e Edit ficaram visualmente mais limpos e previsíveis. Também há trabalho nos applets de Bluetooth e Bateria, que são exactamente o tipo de coisa que ninguém nota quando funciona e toda a gente amaldiçoa quando falha.

Para quem usa layouts de teclado menos comuns, como Dvorak, o COSMIC 1.0.15 melhora a correspondência de atalhos de teclado com variantes de layout. Há ainda mais ícones de bandeja detectados, incluindo clássicos como Dropbox, foco a seguir ao alt-tab no ecrã correcto quando tens vários monitores e correções nas associações de aplicações por omissão. No terminal, o histórico de scroll passa a 100 000 linhas, que é basicamente um abraço a quem vive colado a logs e comandos longos.

Os detalhes técnicos completos estão nas notas de lançamento no GitHub da System76, mas o que interessa é isto: COSMIC 1.0 anda em ciclos rápidos de refinamento enquanto a equipa guarda as grandes mudanças para o COSMIC 2.0. A próxima grande versão promete hot reload de componentes, animações de widgets, suporte decente para IME e fcitx, descodificação de imagem multi-thread e uploads paralelos para a GPU, além de filtros de janelas por espaço de trabalho. Tudo o que hoje se espera de um desktop moderno, mas que no mundo Linux continua a ser conquistado à força de releases iterativas.

Há ainda promessas mais visíveis: pastas expansíveis na vista em lista do COSMIC Files, suporte para tablets Wacom, melhor navegação para leitores de ecrã, um diálogo dedicado a impressoras, gestão de firmware integrada nas definições e um novo efeito visual Frosted. Se a System76 conseguir cumprir este roteiro sem se perder em efeitos bonitos com bugs feios, o COSMIC pode consolidar-se como uma alternativa séria a GNOME e KDE nas distros que gostam de controlar o seu próprio ambiente gráfico. Para quem está em Portugal e vive em Debian, Arch ou derivados, o recado é simples: fica atento aos repositórios estáveis da tua distro, porque COSMIC já não é só “coisa do Pop!_OS”.

Fonte: 9 to 5 Linux

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