Ray-Ban Meta Gen 3: mais bateria, quase tudo igual
Os novos óculos da Meta duram mais uma hora, ganham áudio espacial e ajustes discretos no conforto. O problema é que custam quase o mesmo e mudam pouco face à geração anterior.
Os novos óculos da Meta duram mais uma hora, ganham áudio espacial e ajustes discretos no conforto. O problema é que custam quase o mesmo e mudam pouco face à geração anterior.
Terceira geração em três anos costuma significar maturidade. Nos Ray-Ban Meta (Gen 3), significa sobretudo iteração. Segundo o Gizmodo, os novos óculos de Meta e Ray-Ban continuam a apostar na mesma fórmula de óculos “normais” com câmara, microfones e IA, mas as diferenças para a geração anterior são curtas para quem estava à espera de um salto real.
Comecemos pelo que quase não mudou. Mantém-se a câmara de 12 megapíxeis com vídeo até 3K, o mesmo conjunto de funções de IA, os mesmos controlos por toque e voz, o mesmo som “em campo aberto” e, claro, o mesmo incómodo de andar com câmaras ligadas à Meta coladas à cara. Quem experimentou a nova versão para o Gizmodo descreve a sensação geral no rosto como praticamente idêntica à dos Gen 2. A etiqueta de novo produto está a ser suportada mais pelo número no nome do que por uma revolução interna.
Onde há novidade é na bateria. A Meta anuncia até nove horas de uso misto, mais uma hora do que antes. Em teste com reprodução contínua de música a cerca de 60% de volume, as Gen 3 desceram de 100% para 85% ao fim de uma hora, o que aponta para pouco mais de seis horas de áudio seguido. Não é uma diferença brutal, mas, para quem usa óculos destes o dia todo, uma hora extra pode ser a linha entre chegar a casa com carga ou não. Ainda assim, por $449 (cerca de 410€) nos EUA, não é exatamente o tipo de melhoria que faz alguém correr a trocar de geração.
Mais polémico é o capítulo das chamadas. A Meta publicita agora seis microfones e cancelamento de ruído melhorado, capaz de cortar até 90% do som ambiente. Na prática, conta o Gizmodo, o resultado não impressiona. Nas anteriores gerações, era possível falar no meio de Manhattan sem o interlocutor notar o caos à volta. Nos Gen 3, quem estava do outro lado passou a ouvir carros, comboios e vozes em segundo plano com bastante clareza. A voz de quem fala continua audível e acima do ruído, mas o salto prometido não aparece. Para um produto que se posiciona como solução discreta para chamadas em movimento, esta troca é, no mínimo, duvidosa.
O lado positivo continua a ser o áudio em si, agora com som espacial ativável via app da Meta. Para quem já usa os Ray-Ban Meta como alternativa a auscultadores em passeios ou no escritório, o reforço na imersão é bem-vindo e vem por software, não obriga a upgrade imediato. E, como a própria Meta já começou a mostrar com atualizações recentes de navegação a pé e melhorias de som, há margem para estes óculos evoluírem mais por firmware do que por hardware, algo que já analisámos quando falámos das novas funções de navegação e áudio.
Fica a faltar falar do elefante na sala: privacidade. Os Gen 3 não resolvem o “mesmo velho latão de vermes”, para citar a lista de contras do Gizmodo. São óculos com câmara sempre pronta e microfones potentes, feitos por uma empresa com um histórico complicado de dados pessoais. As gerações anteriores já tinham levantado questões públicas e até restrições em alguns países europeus; nada indica que a Meta esteja disposta a mexer verdadeiramente nessa base. Entre preço alto, melhorias marginais e as mesmas dúvidas de privacidade de sempre, estes Ray-Ban Meta (Gen 3) parecem mais um reajuste de linha do que um passo em frente. Quem já tem a geração anterior provavelmente ganha mais em esperar pela próxima do que em pagar de novo pela mesma receita com mais uma hora de bateria.
Fonte: Gizmodo
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