Quem compra um telemóvel dobrável aceita logo dois factos: paga caro e vive com mais pontos de falha. O Engadget passou em revista os erros mais comuns com estes modelos e a conclusão é simples, mas pouco simpática para quem vem de um slab clássico tipo Galaxy S ou iPhone.
O erro óbvio, atirar o telefone ao chão, nem é o mais interessante. O problema real está no que entra para dentro do telefone quando o fechas. A Samsung avisa na sua página de cuidados que moedas, chaves ou cartões podem riscar ou até furar o ecrã interior. O Engadget sublinha um detalhe menos óbvio: se trabalhas num ambiente com pó fino ou andas muito em praia, não precisas de ver o grão de areia para ele causar estragos. E aqui as certificações IP começam a interessar a sério.
O artigo lembra que nem todos os dobráveis jogam na mesma liga. Segundo o Engadget, os Galaxy Z Fold8 e Fold8 Ultra ficam-se por IP48, enquanto o novo iPhone Duo chega a IP68. O primeiro dígito é proteção contra poeiras: 4 significa que bloqueia objetos com 1 mm ou mais, 6 é à prova de pó. Em teoria, o Duo aguenta melhor ambientes hostis, mas continua a ser um telefone com dobradiça e películas delicadas. Não é um Nokia 3310 renascido.
O ponto onde mais gente se espalha é o ecrã interno. Não é vidro rígido, é uma camada flexível, e continuar a tratar aquilo como se fosse o Gorilla Glass do teu telemóvel antigo é pedir um buraco no meio do painel. Esfregar uma sujidade com a unha, carregar com força num ícone mais teimoso ou usar uma caneta qualquer em vez de uma stylus aprovada são receitas rápidas para marcas permanentes. E depois há o clássico: arrancar a película de fábrica achando que é plástico de transporte. A Samsung recomenda explicitamente que a deixes onde está, e aconselha a usar apenas protetores aprovados para cada modelo. Isto não é o típico vidro temperado que compras por 5€ na caixa do supermercado.
Sobre a tal “vida útil” dos dobráveis, o Engadget lembra que os números oficiais valem mais como marketing do que como ciência. Fala-se de 200.000 a 500.000 dobras em testes de laboratório. Abres 100 vezes por dia, tens teóricamente 5 a 10 anos de uso. A Samsung chegou a dizer que o Z Fold7 sobreviveu a 500.000 dobras em laboratório, mas a mesma marca já viu o primeiro Galaxy Fold falhar bem antes dos 200.000 na vida real. A lição é óbvia: não contes dobras, olha antes para o pó na dobradiça e para a forma como fechas o telefone.
As recomendações finais são quase anti-climáticas, mas fazem a diferença: limpar o ecrã com um pano macio em vez de escavar marcas com a unha, evitar qualquer pressão localizada e certificar-te de que não há nada entre as duas metades quando fechas. E lembrar que mesmo um IP68, como o iPhone Duo, perde resistência com o desgaste normal, como a Apple admite. Nada disto quer dizer que tenhas de tratar um dobrável como se fosse de porcelana, mas quem olhar para modelos como o Galaxy Z Fold8, o Motorola Razr Flex ou o Vivo X Fold 6 como simples substitutos “premium” de um telemóvel tradicional está a comprar uma ilusão cara. O formato é interessante, o compromisso com a durabilidade continua a ser bem mais duro.
Fonte: Engadget
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