O segredo à volta do próximo Steam Deck começou a abrir ligeiramente. Segundo o Gizmodo, uma fuga em documentos de drivers da AMD aponta para um novo chip semi‑custom chamado Gainsborough, e quase tudo no nome e no contexto grita “Steam Deck 2”. A Valve tem repetido que só avança para uma nova geração quando conseguir um salto claro face ao modelo de 2022, e este parece ser o candidato.
Quem juntou as peças foi o leaker e YouTuber Moore’s Law is Dead, que encontrou referências a Gainsborough em drivers da AMD e cruzou isso com a sua própria documentação. A leitura é simples: trata‑se de um SoC semi‑custom pensado para a Valve, num calendário que apontaria para um lançamento algures no fim de 2027 ou início de 2028. Faltam quase dois anos, mas a indústria de PC portátil anda a ficar apinhada, com rumores de uma portátil PS6 ao barulho, por isso a pressão para a Valve acertar em cheio é real.
O detalhe mais saboroso é também o mais nerd. O chip atual do Steam Deck, feito pela AMD, tem o nome de código Aerith, a personagem de Final Fantasy VII. No jogo, o apelido de Aerith é precisamente Gainsborough. Não é preciso ser especialista em JRPGs para perceber o piscar de olho. É difícil imaginar a AMD a usar esta sequência de nomes por acaso para dois produtos sem ligação.
Tecnicamente, o salto é grande no papel. Gainsborough será outro chip semi‑custom, mas fabricado no processo de 3 nm da TSMC (N3P). Isso significa eficiência bastante superior face às soluções usadas em máquinas como a Steam Machine, que ficou aquém da promessa de gaming 4K e acabou “rebaixada” para 1440p no próprio texto da loja da Valve. As fugas apontam ainda para o uso de uma microarquitetura Zen 6 no CPU e RDNA 5 no GPU, com ganhos de 5 a 10% em rasterização nativa face a RDNA 4, segundo as contas de Moore’s Law is Dead. Mais do que os FPS puros, o grande trunfo pode estar na nova geração de upscaling da AMD, herdeira do trabalho feito com a Sony em FSR Redstone e PSSR 2 para a PlayStation 5 Pro.
Se essa tecnologia escorrer para o Steam Deck 2, o efeito prático é simples: jogos renderizados a resoluções mais baixas, imagem final perto de 1080p ou mais, e bateria a agradecer. Partindo do estado atual do Steam Deck, uma combinação de 3 nm com upscaling agressivo abre espaço para muito mais desempenho no mesmo orçamento térmico, ou a mesma fluidez com menos ruído de ventoinha. O problema é que, por agora, tudo isto vive em ficheiros de driver e em suposições. Nem frequências, nem contagem de núcleos, nem TDP. Só contornos.
Onde a névoa é ainda mais densa é no preço. O Gizmodo lembra que a crise da RAM já deitou por terra qualquer sonho de meter a Steam Machine ou o headset Steam Frame abaixo dos 1.000 dólares, e Pierre‑Loup Griffais, da Valve, disse recentemente à IGN que o cenário da memória não mudou os planos para o Steam Deck 2. Traduzindo: o hardware que a Valve quer fazer não vai ser baratinho só para caber na nostalgia dos 400 dólares (~370€) do modelo base original. Se Gainsborough for mesmo o coração da próxima consola portátil da Valve, o salto geracional pode cumprir a promessa, mas a etiqueta de preço vai lembrar que 2022 ficou para trás.
Fonte: Gizmodo
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