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KDE faz 30 anos com Plasma 6.8 e adeus definitivo ao X11

A próxima versão do Plasma chega em outubro, celebra três décadas de KDE e abandona de vez a sessão X11. Para quem prefere nostalgia, o projecto Klassik traz de volta o visual de 2002 em cima de tecnologia moderna.

KDE faz 30 anos com Plasma 6.8 e adeus definitivo ao X11
Ilustração digital | Pixel Magazine

Trinta anos depois do primeiro anúncio do KDE, o projeto entra nos 40 sem olhar muito para trás. A próxima versão do ambiente gráfico, Plasma 6.8, está em segunda e última beta e marca a data redonda com uma decisão simbólica: a sessão em X11 sai do palco, fica só Wayland. Como conta o The Register, o lançamento está apontado para 14 de outubro, o dia do aniversário.

A equipa lançou a beta pública de Plasma 6.8 e, em paralelo, já vai aterrar código para o futuro Plasma 6.9. A grande mudança não é surpresa, o plano de abandono do X11 foi assumido em 2025. Plasma 6.7 ainda permite instalar uma sessão X11 opcional, mas a partir da 6.8 o desktop passa a correr apenas em Wayland, com aplicações antigas a depender de XWayland. É a confirmação de que, no KDE, X11 passou oficialmente para a categoria de legado.

Há mais novidades para lá da base tecnológica. A beta continua a pré-visualização pública do motor de temas Union, pensado para dar uma aparência consistente a aplicações baseadas em Qt, incluindo QtWidgets como o gestor de ficheiros Dolphin ou o editor Kate. Segundo o The Register, o suporte ainda é marcado como preliminar, mas o trabalho segue. O tema clássico Oxygen, que definiu a estética do KDE durante boa parte dos anos 2000, também está a receber afinações específicas para o Plasma 6.8. É um gesto curioso: o mesmo lançamento que desliga o passado técnico tenta manter um fio estético com esses anos.

Para assinalar os 30 anos, está também a caminho um documentário de longa-duração sobre o projeto, produzido pela irlandesa Cult.Repo. Há já um trailer disponível. KDE não é apenas um desktop, é uma comunidade que sobreviveu à ascensão e queda de múltiplas modas de interfaces gráficas em Linux, e um filme destes é uma forma pouco habitual de registar essa história num mundo onde o software livre raramente tem direito a memória institucional.

Para quem não quer nada com temas modernos, transparências e animações, surge Klassik. De acordo com o The Register, Klassik não é um fork de KDE 3 nem uma portabilidade do código antigo. É uma recriação da aparência e do comportamento do KDE 3 dentro do Plasma 6, em cima de Qt 6, Qt Quick e KDE Frameworks 6, com suporte para Wayland e escalamento fracionado. O projecto reimplementa o painel dos primeiros anos 2000, o velho K Menu, o Quicklaunch, o gestor de tarefas, botões de bloqueio e fim de sessão e até o relógio dessa era.

KDE 3.0 saiu em abril de 2002 e a série fechou com a versão 3.5.10 em agosto de 2008. Em vez de tentar ressuscitar código antigo em Qt 3, Klassik limita-se a copiar o desenho e os comportamentos por cima das bibliotecas atuais do Plasma 6. É uma abordagem sensata: dá o conforto visual e os hábitos de uma geração sem carregar o peso técnico de um desktop obsoleto. O The Register admite que não morre de saudades dessa fase, mas há claramente um nicho de utilizadores que prefere a familiaridade a qualquer Experiência Nova com maiúsculas. Num universo Linux onde o GNOME puxa para simplificar e esconder botões, a coexistência de um Plasma moderno focado em Wayland e de um modo “KDE 3 em 2026” diz muito sobre a elasticidade do projeto. E mostra que, três décadas depois, o KDE continua menos interessado em consensos e mais em dar opções.

Fonte: The Register

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