A Meta quer que a realidade virtual deixe de parecer um capacete de moto e passe a ser algo mais próximo de uns óculos de sol substanciais. Segundo o The Verge, a empresa apresentou os Meta VR Glasses, um dispositivo que se apoia nas orelhas como óculos normais, mas com ecrãs internos para filmes, jogos e multitarefa, e um pequeno módulo de computação que fica preso à roupa ou no bolso.
O objetivo é claro: oferecer uma forma de VR mais leve e menos intimidante do que um Quest 3 ou um Apple Vision Pro. Quem testou o protótipo no campus da Meta descreve a sensação como um “Vision Pro em dieta”. Os números ajudam: cerca de 100 g na cabeça, contra 515 g de um Quest 3. O peso que sai da cara vai parar ao chamado compute puck, ligado por cabo, que concentra processador Snapdragon Reality Elite, 128GB de armazenamento, 12GB de RAM e a bateria, com promessa de até três horas de reprodução de conteúdos.
O ecrã é um ponto de venda óbvio. A Meta fala num painel MicroOLED 5K “Infinite Display”, com 2412 x 2288 píxeis por olho, 37 píxeis por grau e até 120 Hz de taxa de atualização. Na frente dos óculos há duas câmaras para color passthrough, que permitem ver o mundo real com alguma fidelidade em vez de ficar isolado num preto absoluto. Há dois tamanhos, mais estreito e mais largo, mas o preço será o mesmo, uma opção sensata para não punir quem precisa de armações maiores.
No controlo, a Meta mantém a aposta em olhos e gestos no ar. O sistema operativo destaca o que estás a olhar, com duas pares de câmaras dedicadas a eye-tracking, e as interações fazem-se com gestos: beliscar polegar e indicador para selecionar, fechar a mão e mover o polegar para rolar. Quem já conhece os Meta Ray-Ban Display reconhece a filosofia, mas aqui não há pulseira neural, tudo é feito por visão computacional. É elegante no papel, embora continue a depender de câmaras a interpretar micro-movimentos, uma área em que a latência e os erros ainda estragam rapidamente a magia.
O trade-off é óbvio: menos volume e peso na cabeça, à custa de andares com um puck e um cabo sempre presentes. Para uso sentado em secretária ou sofá, pode ser aceitável, sobretudo para quem quer várias janelas virtuais à frente em vez de monitores físicos. Para movimentar o corpo em jogos de VR, a história é outra, e é legítimo duvidar de quão prático será ter um cabo ligado a um bloco no bolso. Ainda assim, a direção é interessante, especialmente num momento em que outros projetos de óculos avançados, como os Viture Vonder ou vários modelos XR que já tentam fugir ao formato de capacete tradicional, começam a ganhar tração.
Há também a questão social. Uns óculos escuros grossos continuam a ser muito mais aceitáveis numa sala de estar partilhada do que um capacete massivo, mas continuam a tapar o olhar e a criar barreiras. A Meta parece apostar que reduzir o peso físico torna o produto mais usável no dia a dia, mas a barreira cultural não desaparece com 100 g a menos. O que estes Meta VR Glasses indicam, isso sim, é que a corrida pós-Vision Pro já não é quem faz o headset mais potente, é quem consegue esconder o headset dentro de algo que pareça, à distância, apenas mais um par de óculos.
Fonte: The Verge
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