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Email auto-hospedado encolhe, Google e Microsoft tomam conta do correio

Menos de um quarto dos grandes domínios ainda tratam do próprio email. Dois gigantes passam a decidir, na prática, o que chega ou não à caixa de entrada.

Email auto-hospedado encolhe, Google e Microsoft tomam conta do correio

Se ainda tens um servidor de email em nome próprio, estás a nadar contra a maré. Segundo dados analisados por Artem Berezin, especialista que trabalha na Live Direct Marketing, o número de grandes domínios que gerem o seu próprio correio caiu para metade em dez anos.

No blogue da Internet Society, Berezin pegou em registos DNS para medir quem controla o email dos domínios mais populares. Olhou para os registos MX, que dizem onde vivem as caixas de correio. Para os registos SPF, que definem quem pode enviar em nome de um domínio. E para os registos DMARC (Domain-based Message Authentication, Reporting, and Conformance), que indicam o que acontece a mensagens que falham autenticação.

Com snapshots diários de DNS do projecto OpenINTEL da Universidade de Twente, SURFnet e SIDN Labs, e a lista Tranco do top 1 milhão de domínios, o investigador classificou MX e SPF contra dicionários públicos de prestadores de mailbox, plataformas de envio e aplicações SaaS (software como serviço). Há limitações, admite, mas o desenho é claro: em 2016, 44,6 por cento dos domínios do topo corriam servidor de mail próprio. Em 2026, são 22,4 por cento. E a curva é descendente, com a fatia dos auto-hospedados a cair mais 0,5 pontos percentuais em apenas 30 dias.

Mesmo assim, a auto-hospedagem ainda é, por uma unha negra, a forma mais comum de tratar email. Logo atrás surge o Google Workspace com 21,8 por cento dos MX detectáveis, seguido do Microsoft 365 com 16,8 por cento. Somados, Google e Microsoft já tratam de 38,6 por cento do correio destes grandes domínios. Berezin não disfarça a preocupação: lembra que a comunidade RIPE NCC andou anos a discutir a centralização no DNS e nas CDNs, e que o email está a seguir o mesmo caminho, só que em silêncio.

Quando mais de um terço dos domínios populares depende de dois prestadores para receber correio, um apagão, uma alteração de filtros ou uma decisão de política num deles propaga-se instantaneamente pelo sistema. Ao contrário de uma CDN, o email não tem fallback elegante. Mensagem rejeitada é mensagem perdida. Pior, quem teima em operar infra-estrutura própria herda cada vez mais dores de entregabilidade num mundo afinado para os grandes. Ergue um Postfix acabadinho de instalar em 2026 e tenta meter newsletters a chegar em massa às contas do Gmail e do Outlook, depois conta como correu.

A filtragem agressiva da Google e da Microsoft, supostamente para travar spam e abuso, acaba a empurrar operadores e marketeers para dentro dos seus serviços. Se os dois gigantes não confiam em servidores pequenos, esses servidores tornam-se, de facto, menos úteis. Isto encaixa num contexto onde até já há IAs a escrever emails directamente no Gmail, como mostramos quando olhámos para a forma como o Claude se integra nas contas Google em automação de correio e ficheiros no ecossistema Google. Menos diversidade técnica significa também mais poder editorial implícito: filtros de spam, políticas anti-phishing e até ajustes comerciais passam a ser, na prática, decisões sobre quem pode falar com quem. O email sempre foi o protocolo teimosamente aberto da internet. Ver a sua governação concentrada em dois fornecedores não é uma curiosidade estatística, é um risco estrutural.

Fonte: The Register

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