Take-Two leva Discord e Microsoft a tribunal por leaks de GTA VI
Editora de Rockstar quer dados de utilizadores de GitHub e Discord ligados às fugas de GTA VI. O choque entre hype, sigilo e polícia privada da internet volta a subir de tom.
Editora de Rockstar quer dados de utilizadores de GitHub e Discord ligados às fugas de GTA VI. O choque entre hype, sigilo e polícia privada da internet volta a subir de tom.
A poucos meses do lançamento de Grand Theft Auto VI em novembro, a dona da Rockstar está menos preocupada com trailers e mais com quem anda a furar o bloqueio de informação. A Take-Two apresentou dois pedidos de intimação num tribunal federal de Nova Iorque para obrigar a Microsoft e o Discord a entregar dados de utilizadores alegadamente ligados às fugas de conteúdos do jogo, avança o Kotaku.
No caso da Microsoft, o alvo é um repositório no GitHub que terá alojado material protegido por direitos de autor da Take-Two: “conteúdo audiovisual, artwork, imagens, diálogos ou outros elementos criativos”. A editora quer que a empresa entregue registos comerciais e de investigação interna associados à persona “cyberleek”. Ou seja, não se fica pelo pedido de remoção de ficheiros, quer pistas completas sobre quem está do outro lado do ecrã.
Do lado do Discord, a mira está ainda mais aberta. A Take-Two pede dados de várias contas e servidores, incluindo os utilizadores CYBERLEEK, CINEMATICROCKSTAR e Surfer24k, um servidor de comunidade gerido pelo criador de conteúdo DarkViperAU e outro chamado !Odyssey. A lista de informação requerida é extensa: nomes completos, números de telemóvel, contas ligadas e qualquer conteúdo partilhado sobre Grand Theft Auto, Rockstar ou Cyberleek. Na prática, a empresa quer transformar plataformas de chat e colaboração em extensões do seu departamento jurídico.
O confronto começou a 18 de agosto, quando nova vaga de vídeos de GTA VI começou a circular online. A Take-Two respondeu de imediato com pedidos de remoção, mas o clássico efeito Streisand não falhou: novos vídeos apareceram e alguns davam a entender que o grupo ou indivíduo associado ao nome Cyberleek tinha acesso a uma build jogável, com estações de rádio e tudo. Tudo isto poucos dias antes de a Rockstar e a Netflix terem preparado um “extended look” oficial do jogo, em exclusivo na plataforma de streaming durante seis horas, a 27 de agosto. O marketing cronometrado foi atropelado por leaks à moda antiga.
Esta não é sequer a primeira novela de fugas em torno de GTA VI. Em 2022, um membro de 18 anos do grupo de hacking Lapsus$ divulgou imagens do jogo a partir de um quarto de hotel barato, usando um Amazon Fire TV Stick ligado à televisão. O caso acabou com uma avaliação de saúde mental, conclusão de que o jovem não estava apto para ser julgado e uma ordem de internamento hospitalar por tempo indeterminado. A mensagem implícita foi clara: mexer com a maior máquina de dinheiro dos videojogos tem consequências desproporcionadas.
Para quem faz vida em GitHub e Discord, o recado agora é outro: quando a propriedade intelectual vale milhares de milhões, a fronteira entre modder entusiasmado, curiosidade de bastidores e alvo de uma intimação federal é perigosamente fina. E num ano em que a indústria dos jogos parece mais ansiosa em controlar leaks do que em proteger empregos, GTA VI acaba a ser também um estudo de caso sobre até onde as editoras estão dispostas a ir para policiar a conversa online em seu redor.
Fonte: Engadget
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