Slack Code põe Claude, ChatGPT e companhia a programar no canal
O Slack ganhou canais de código onde equipas humanas e agentes de IA escrevem, revêm e lançam software sem sair do chat. A ferramenta é gratuita, os agentes é que não.
O Slack ganhou canais de código onde equipas humanas e agentes de IA escrevem, revêm e lançam software sem sair do chat. A ferramenta é gratuita, os agentes é que não.
O Slack decidiu que o browser já é opcional para programar. Chama-se Slack Code e são canais de projeto onde equipas e agentes de IA escrevem, revêm e lançam código diretamente dentro da app. Nada de novo em termos de diffs ou revisões, mas com um detalhe importante: tudo acontece à frente de toda a gente, no mesmo espaço onde o resto da conversa já vive.
A mecânica é direta. Em qualquer conversa, marcas um agente de código e o Slack cria um canal dedicado a essa tarefa. Dentro desse canal há separadores próprios: um para a conversa, outro para o plano, outro para os code diffs e um último para uma pré-visualização em tempo real do resultado. Quando a tarefa acaba, o canal arquiva-se sozinho e fica como registo de auditoria. Para equipas que vivem em Slack o dia inteiro, isto é um upgrade lógico à clássica dança entre chat, GitHub, IDE e mais meia dúzia de separadores.
Do lado funcional, não há magia nova. Os diffs aparecem no formato conhecido, linha antiga riscada, linha nova ao lado. A diferença é de visibilidade: em vez de um revisor isolado num serviço tipo GitHub, todo o canal vê o que o agente está a propor, pode comentar, pedir alterações e aprovar antes de fazer ship. É a filosofia de “programar em aberto” aplicada ao espaço onde já se discutem requisitos, prazos e bugs. Se vai reduzir as reuniões inúteis ou só deslocar o ruído para mais um tab, isso depende menos da IA e mais da disciplina da equipa.
No lançamento, o Slack Code está disponível em todos os planos, incluindo gratuitos. O truque está onde é habitual: o acesso a cada agente é pago à parte. Entre os parceiros iniciais estão Anthropic, Cognition, GitHub, Vercel e OpenAI, com Claude, ChatGPT, Devin e Copilot como rostos de cartaz. A estratégia é clara, a Salesforce quer que o Slack seja a consola central da tua frota de agentes, enquanto outras plataformas tentam fazer o mesmo no editor, no navegador ou até no próprio sistema operativo, como se vê com ferramentas tipo Cursor e os seus derivados.
Este lançamento não cai do céu. Em maio, a Salesforce já tinha sinalizado que pretendia gastar cerca de 300 milhões de dólares em tokens da Anthropic este ano e que o próximo passo era “meter código dentro do Slack”. Três meses depois, promessa cumprida. Desde a compra do Slack em 2020, Marc Benioff tem empurrado a aplicação para a frente de uma estratégia de agentes: começou com um Slackbot vitaminado na primavera e agora encosta a IA diretamente ao fluxo de desenvolvimento.
O detalhe mais curioso está na política de alianças. A Salesforce anda a posicionar o seu Agentforce para o mesmo tipo de orçamentos que estes parceiros externos querem captar. Mesmo assim, em vez de fechar o jardim, abriu a porta a mais agentes, incluindo o próprio ChatGPT, agora promovido a “parceiro fundador” do produto colaborativo estrela da casa. Para quem trabalha em Portugal em empresas espalhadas entre GitHub, Jira e Slack, isto não resolve o caos de ferramentas, mas aponta para uma tendência: o chat como ambiente de desenvolvimento com IA colada, e não apenas mais uma janela onde o código é comentado depois de escrito.
Fonte: The Next Web
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