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Porque é que os discos da Nintendo GameCube eram tão pequenos

Os miniDVDs da GameCube cortaram custos, travaram pirataria e encolheram a consola. Também a deixaram para trás na guerra das salas de estar.

Porque é que os discos da Nintendo GameCube eram tão pequenos

A Nintendo GameCube é daquelas consolas que quase toda a gente subvalorizou na altura e idolatra agora. Parte do charme está naquele cubo roxo com pega de transporte, mas outro detalhe marcou gerações: os discos minúsculos. Não eram um capricho estético. Eram uma decisão de engenharia e de negócio bem calculada.

Em vez de DVDs tradicionais, como na PS2 e na primeira Xbox, a GameCube usava miniDVDs proprietários, também chamados “GameCube Optical Discs”. Tinham 3,15 polegadas de diâmetro, contra as 4,7 polegadas dos DVDs normais, e uma capacidade a rondar 1,5 GB. Hoje isso parece ridículo quando um Blu-ray de PS5 leva até 100 GB, mas na altura foi suficiente para meter um The Legend of Zelda: The Wind Waker inteiro ali dentro. Não dava para enfiar estes discos num leitor de DVD do PC ou num leitor de secretária, o que logo à partida complicava muito a pirataria casual.

A Nintendo tinha três objectivos claros: dificultar cópias ilegais, fugir a royalties e encolher a máquina. Ao usar um formato proprietário, escapou às taxas do DVD Forum, que na altura rondavam os 20$ por consola, cerca de ~18,50€ de hoje ajustados de forma grosseira. Isso ajudou a pôr a GameCube na prateleira a 200$ (à volta de ~185€ na época) quando PS2 e Xbox arrancavam nos 300$. Mais barata de fabricar, mais fácil de vender a famílias que viam a consola como brinquedo e não como centro multimédia.

O formato serviu também para proteger o catálogo. No início dos anos 2000, praticamente não havia gravadores de DVD para PC capazes de lidar com a tecnologia específica da Nintendo. Enquanto cópias de jogos de PS2 corriam por todo o lado em mercados e feiras, o universo GameCube ficou bem mais fechado durante anos. Só com emulação madura, como o Dolphin em PC, é que se abriu a porta a backups e preservação. Curiosamente, agora que há formas mais limpas de jogar clássicos, muitos preferem alternativas modernas, como ver clássicos de consola a correr nativamente no Mac em vez de andar a caçar discos raros.

Do lado técnico houve outro ganho: tempos de carregamento curtos. Discos mais pequenos significam o laser a percorrer menos distância a ler dados. A Nintendo sempre privilegiou fluidez sobre especificações em folha, e a GameCube alinhava nisso, com loadings em geral mais rápidos que a PS2. O próprio formato permitiu um leitor óptico compacto que ajudou a fazer da GameCube uma das consolas domésticas mais pequenas e leves de sempre, bem mais portátil que a Xbox original, um tijolo de 4 kg.

O preço veio noutro lado: posicionamento. A GameCube vendeu cerca de 21,7 milhões de unidades, menos que a Xbox original e muito menos que os 160 milhões da PS2. Parte explica-se pelo catálogo e pelo marketing, mas a escolha de miniDVDs contribuiu. Tanto a PS2 como a Xbox funcionavam como leitor de DVDs de filmes, numa altura em que o DVD substituía o VHS nas salas de estar. A GameCube era só consola. Nada de filmes, nada de “compramos isto e também serve para ver cinema”. Em 2001 isso pesava na decisão de quem comprava hardware caro para a casa. A Nintendo apostou na pureza da máquina de jogar e perdeu espaço no mercado de massas. Duas décadas depois, os discos pequeninos são um ícone de design, mas também um lembrete de como uma boa ideia técnica pode ser um mau negócio.

Fonte: Engadget

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