Xiaomi HyperOS 4 estreia Glass UI e reforça tudo à volta da IA
A nova versão do sistema da Xiaomi aposta numa interface em “vidro suave” e num assistente Super XiaoAI 2.0 mais ambicioso. Para já só em beta na China, sem calendário europeu.
A nova versão do sistema da Xiaomi aposta numa interface em “vidro suave” e num assistente Super XiaoAI 2.0 mais ambicioso. Para já só em beta na China, sem calendário europeu.
A Xiaomi oficializou o HyperOS 4, a nova grande versão do sistema que substituiu o velho MIUI. Há duas frentes principais: um visual em “Soft Light Glass” cheio de transparências e reflexos, e um mergulho ainda mais fundo na IA com o Super XiaoAI 2.0, assente no modelo de linguagem MiMo da marca.
No lado estético, o Soft Light Glass aposta em superfícies translúcidas e efeitos de luz que reagem ao toque, com transparência que muda consoante o que está no ecrã. Não é uma ideia nova no mundo Android, mas a Xiaomi empacota tudo de forma agressiva: painéis de notificações empilhados, pastas redimensionáveis e widgets que se podem agrupar para espremer melhor o ecrã inicial. O ecrã de bloqueio também ganha mais liberdade, incluindo relógios ajustáveis e layouts que lembram o que Apple e Samsung andam a fazer nos últimos dois anos, só que com menos pudor na mistura de cores.
Há ainda um novo quadro flutuante pensado para melhorar a transição entre smartphone e tablet, com mudanças mais suaves entre modo vertical e horizontal. Em teoria, isto deve dar mais consistência à experiência em equipamentos como a gama Pad 8, que até agora vivia num limbo entre Android clássico e ambição de desktop. A Xiaomi fala de “Glass UI”, mas na prática o que interessa é se os devs vão respeitar estes padrões ou continuar a despejar apps mal adaptadas em ecrãs grandes.
O grande trunfo do HyperOS 4 é o Super XiaoAI 2.0. Este assistente usa o modelo MiMo para lidar com tarefas longas em segundo plano, com progresso visível na interface Super Island. Pode responder ao que está no ecrã: apontas para um endereço e pede-se navegação, tocas num produto e ele tenta encontrar links de compra, apanha datas em cartazes para criar eventos de calendário. Também entra pela edição de fotos adentro, com comandos para remover pessoas, trocar roupa ou adicionar elementos. É o tipo de funcionalidade que, se chegar à Europa, vai bater de frente em questões de privacidade e transparência de dados que na China passam com muito mais facilidade.
As apps de produtividade da Xiaomi também recebem IA em força. Nas Notas há gravação com um toque, organização automática, resumos com templates e conversas com IA em cima dos apontamentos. O Gravador detecta reuniões, extrai pontos-chave, cria um esboço e permite saltar silêncios. O sistema trata ainda de polir voz, traduzir de chinês para inglês e, em modo “perito” do Super XiaoAI, gerar relatórios de pesquisa estruturados, apresentações e até páginas web a partir de instruções em linguagem natural. É a mesma corrida que vemos na Google e na Microsoft, só que encaixada num sistema fortemente controlado por um único fabricante de hardware.
No papel, o desempenho também melhora. Segundo a Xiaomi, abrir 30 apps depois de nove horas de uso demora 139,7 segundos no HyperOS 4 contra 169,4 no HyperOS 3, um corte de 17,5 %. Fala-se ainda em arranques a frio mais rápidos, processamento HDR mais veloz e menos quebras de frames em vídeo e scroll. Tudo isto vem de testes internos no Xiaomi 17 Ultra, por isso vale como material de marketing, não como benchmark independente.
Por enquanto, o HyperOS 4 está em beta só na China. A primeira vaga de actualizações começou a 14 de agosto e inclui a série Xiaomi 17, Redmi K90 e Xiaomi Pad 8, com mais equipamentos previstos em lotes a 27 de agosto e 17 de setembro. Não há datas nem lista oficial para ROM global ou versão europeia. Para quem compra Xiaomi em Portugal, isto significa o habitual: as novidades de interface e IA chegam meses mais tarde, quando chegarem, e sempre filtradas por regras de privacidade da UE. A Xiaomi pode ter pressa em mostrar o seu “Glass UI”, mas aqui o vidro continua fosco.
Fonte: TechGenYZ
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