QEMU 11.1 traz emulação UFS e melhorias fortes em ARM e RISC-V
Nova versão do emulador de máquinas abre a porta a cenários mais realistas em smartphones, embebidos e RISC-V. Não muda o desktop, muda o laboratório de quem testa tudo isto.
Nova versão do emulador de máquinas abre a porta a cenários mais realistas em smartphones, embebidos e RISC-V. Não muda o desktop, muda o laboratório de quem testa tudo isto.
QEMU 11.1 já está cá fora. Não é uma daquelas versões que mudam menus ou botões, é daquelas que mudam o que consegues simular dentro de uma VM. A peça de destaque é o suporte de emulação para Universal Flash Storage (UFS), incluindo Write Booster, a tal cache a nível de dispositivo, e a desfragmentação iniciada pelo host (HID) alinhada com a especificação UFS 4.1. Traduzindo: passa a ser muito mais fácil testar, no portátil, comportamentos de armazenamento que na vida real vivem em smartphones e hardware embebido recente.
Esta versão chega três meses e meio depois do QEMU 11.0 e continua a tendência de tratar QEMU menos como brinquedo e mais como ferramenta séria de validação de hardware. Há novidades fundas no lado da virtualização: surge suporte vhost-host-user para retirar do hipervisor o tratamento do relógio em tempo real quando se usa virtio-rtc, o que reduz latências em cenários sensíveis a tempo. No mundo IBM, o QEMU 11.1 traz MPIPL para PowerNV, para preservar memória depois de resets inesperados, e suporte KVM para a facility ASTFLE 2 em s390x. Quem vive em mainframe olha para estas notas como quem lê notas clínicas, mas são o tipo de detalhes que decidem se QEMU serve ou não para testar workloads críticos.
No lado ARM, o projecto continua a acompanhar o hardware que realmente se vende. Há suporte para novas funcionalidades arquitecturais de CPU, uma nova máquina imx8mp-evk baseada no kit de avaliação NXP i.MX 8MM, e a famosa máquina genérica virt passa a permitir especificar topologia de cache. Isto interessa a quem anda a optimizar compiladores, kernels ou firmware para SoC modernos. Mais discreto mas relevante, o acelerador hvf no macOS ganha virtualização aninhada e vGIC, o que torna os Mac com Apple Silicon menos inúteis como máquinas de teste de virtualização séria.
RISC-V não fica esquecido. O QEMU 11.1 adiciona suporte a extensões ISA menos mediáticas mas importantes, como big-endian, Zbr/xbr0p93, Zvfbfa, LMUL fraccionário em instruções vectoriais SHA, e suporte KVM para Zicbop e BFloat16. Há ainda novos boards emulados, como o K230, e identificação para mvendorid da Tenstorrent. Para quem em Portugal anda a brincar a sério com placas RISC-V de baixo custo ou a cruzar código entre ARM, x86 e RISC-V, ter estas extensões disponíveis emulado é meio caminho para não depender de hardware que tarda a chegar ou custa mais em portes do que no próprio chip.
Também o modo user ganha polimento, com emulação das syscalls preadv2() e pwritev2(), ficheiro /proc/cpuinfo emulado para PPC, LoongArch e m68k, madvise mais granular, suporte VDSO para sh4/sh4eb e a família fsmount de syscalls para melhor integração com systemd. Soa obscuro, mas é assim que se consegue correr binários de distribuições recentes em modos de compatibilidade sem levar com falhas estranhas. A camada de firmware e consola também recebe atenção: firmware SeaBIOS-hppa sobe para a versão 25, há correcções de TLB para HP-UX em HPPA e melhor tratamento da consola virtual, incluindo escolha de codificações de caracteres e melhorias GTK/VNC na interface gráfica. Não é glamour, é manutenção pesada.
No total, mais de 3.200 commits de 285 autores. É o retrato de um projecto onde quase todo o mundo do hardware despeja necessidades e patches. Para quem em Portugal gere infraestruturas, faz desenvolvimento de baixo nível ou dá aulas de sistemas operativos, QEMU 11.1 é menos uma actualização opcional e mais uma ferramenta que convém manter afiada. O changelog completo está no wiki do projecto, e os pacotes devem chegar às distribuições estáveis nos próximos dias. Quem vive de snapshots, instala hoje vindo de qemu.org e poupa-se a surpresas quando as máquinas reais chegarem ao datacenter.
Fonte: 9to5Linux
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