Chrome corta 7 mil milhões de notificações abusivas por dia no Android
O navegador da Google está a apertar o cerco às notificações usadas para burlas e malware. Menos spam no painel, mais decisões tomadas por ti, pelo menos em teoria.
O navegador da Google está a apertar o cerco às notificações usadas para burlas e malware. Menos spam no painel, mais decisões tomadas por ti, pelo menos em teoria.
Sete mil milhões de notificações abusivas a menos por dia no Android. O número é da Google e vale por si: o Chrome está a filtrar uma quantidade absurda de lixo que antes te saltava para o painel de notificações. Esse lixo não é só chato. Muitas vezes são burlas, tentativas de phishing, pedidos de pagamento falsos e links para malware.
Para chegar aqui, a Google diz ter montado um modelo de defesa em “queijo suíço”, várias camadas que tentam travar o abuso em momentos diferentes. Se uma falha, entra a seguinte. Na prática, Chrome para Android já revoga permissões de notificação de sites inativos ou que disparam alertas suspeitos em série. Quando isso acontece, és automaticamente desinscrito das notificações desse site. Podes rever tudo no Safety Hub e voltar a dar permissão se achares que houve excesso de zelo.
Mais importante, o navegador começou a olhar para o comportamento em rede. Em vez de só avaliar cada site isolado, analisa padrões em grupos de sites relacionados, incluindo atividade coordenada de service workers. Se esse grupo se comporta como um “cluster” de notificações enganosas, o Chrome pode cortar as permissões de todos de forma proativa, mesmo que o conteúdo da página pareça inofensivo à primeira vista. A empresa fala em fatores como volume de notificações, tempo passado no site, frequência dos pedidos de permissão e nível de interação.
Há também limites técnicos duros: sites classificados como “perturbadores” podem ficar restringidos a 1.000 mensagens por minuto, com o resto a receber um erro HTTP 429. Para reincidentes, as restrições ficam mais agressivas e só voltam ao normal depois de um período de “bom comportamento”. Isto é Google a agir como regulador privado da web de notificações, com critérios que não são públicos ao detalhe e que podem afetar tanto esquemas óbvios como negócios legítimos que abusam do interruptor do “queres receber novidades?”.
Do lado do utilizador, a interface das permissões de notificação no Android foi suavizada para não interromper tanto a navegação. Podes desinscrever-te diretamente no painel de notificações do sistema e, em desktop, gerir tudo em Definições, Privacidade e segurança, Definições de sites, Notificações. A Google garante que isto reduziu atividade em segundo plano e consumo de bateria, um detalhe que interessa a qualquer dono de telemóvel que já se viu com metade da autonomia comida por apps e sites demasiado faladores. Para quem já lida com outras ameaças móveis, como os ataques que passam pelo próprio cartão SIM, ter menos ruído visual ajuda a notar quando algo realmente estranho aparece.
Há, no entanto, um subtexto que convém não esquecer. Uma parte considerável da selva de notificações nasceu porque os próprios browsers empurraram essa funcionalidade como forma de manter sites “vivos” fora do ecrã. Agora, a mesma Google apresenta-se como bombeiro do incêndio que ajudou a acender. Para o utilizador em Portugal, o saldo ainda assim é positivo: menos spam e menos portas de entrada para burlas em português esforçado. Desde que continues a olhar para cada permissão como o que é, uma potencial via direta para o teu ecrã de bloqueio.
Fonte: BleepingComputer
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