LINUX

FFmpeg 9.0 “Lei” chega com mais aceleração e menos legado

A nova versão do FFmpeg empurra ainda mais pelo GPU e formatos recentes, enquanto começa a limpar codecs mortos. Para quem mexe em vídeo a sério, convém prestar atenção.

FFmpeg 9.0 “Lei” chega com mais aceleração e menos legado

Se mexes em multimédia em Linux, gostes ou não, vives num mundo FFmpeg. A versão 9.0, baptizada Lei, já está disponível e marca mais um daqueles saltos silenciosos que sustentam metade das ferramentas de vídeo e áudio que usas sem te aperceberes.

Quatro meses depois do FFmpeg 8.1, esta release continua a empurrar o processamento para o GPU e para hardware dedicado. Há extensões às capacidades HDR do conversor de cor AMF Color Converter (vf_vpp_amf), entra um novo filtro de conversão de frame rate AMF (vf_frc_amf) e surge também um filtro v360_vulkan, pensado para transformações de vídeo 360 graus tirando partido do Vulkan. Em paralelo, o projecto ganha aceleração de hardware APV baseada em Vulkan e mapeamento de memória AMF mais eficiente. Em linguagem menos cifrada: mais trabalho gráfico pesado sai do CPU e vai para onde faz sentido, o GPU.

Há também novidades do lado dos formatos. O FFmpeg 9.0 traz suporte de muxing de faixas LCEVC em MP4, o tal codec complementar que alguns serviços de streaming andam a testar para enfiar mais qualidade na mesma largura de banda. Junta-se a isto a descodificação HE-AAC 960 para DAB+, suporte e passthrough de metadata SMPTE 2094-50 (útil em workflows HDR sérios), aceleração de ProRes RAW via VideoToolbox no mundo Apple, e até um encoder e muxer dedicados à Playdate, a pequena consola amarela com manivela. Mais pragmático: quem faz pipelines de broadcast, streaming ou jogos passa a ter menos gambiarras e mais suporte nativo.

No capítulo da inteligência artificial, entra um backend DNN para ONNX Runtime com suporte a execução em GPU. Não é o FFmpeg a virar framework de IA, é o FFmpeg a admitir que muitos filtros modernos (super-resolução, denoise, etc.) vivem em redes neurais e que faz sentido falar fluentemente com esse mundo. A release traz ainda um filtro transpose_cuda e suporte para WebP animado, tanto decoder como demuxer, o que encaixa bem neste universo de autocolantes animados, pré-visualizações e pequenos loops que infestam aplicações e a web.

Para entrar alguma coisa, tem de sair outra. O projecto remove parsing Ogg/Celt, suporte de descodificação CELT e várias opções NVENC marcadas como obsoletas. Isto não é desleixo, é manutenção de sanidade num código com décadas. Quem ainda dependia de CELT vive num passado muito específico e, honestamente, provavelmente já devia ter migrado há anos. O sinal aqui é claro: o FFmpeg quer gastar energia em codecs e fluxos relevantes em 2026, não em arqueologia digital.

Debaixo do capot, quase todas as bibliotecas internas sobem de versão, de libavcodec 63.1.100 a libavfilter 12.1.100, o que interessa sobretudo a quem compila e integra. Para o resto do mundo, a consequência real é que daqui a pouco tempo esta versão vai cair nos repositórios das principais distribuições GNU/Linux, de Debian e Ubuntu a Fedora e Arch. Em Portugal, isso significa que o que instalas pela linha de comandos na tua máquina de edição, no NAS ou no servidor de streaming caseiro continua a ser o mesmo comando de sempre, só que com mais truques por trás. Quem preferir não esperar pode ir já buscar o código-fonte ao site oficial e compilar. Em termos de ferramentas base de multimédia, o FFmpeg continua a ser menos uma opção e mais uma infra-estrutura.

Fonte: 9to5Linux

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