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Sony garante RAM para todas as PS5 que planeia vender até 2027

Em plena crise de memória, a Sony diz ter PS5 asseguradas para o impacto de GTA 6. Mas vende menos consolas e continua a não aliviar nos preços.

Sony garante RAM para todas as PS5 que planeia vender até 2027

A Sony está tão preocupada com a RAM como tu, só que por razões diferentes. No último relatório de contas, fez questão de sublinhar que já garantiu memória suficiente para produzir todas as PlayStation 5 que espera vender no atual ano fiscal, que termina em abril de 2027. Em plena “Ramageddon”, a mensagem é para investidores, mas serve também para acalmar quem teme que a chegada de GTA 6 transforme a PS5 em item raro de Natal.

No documento, a empresa escreve de forma pouco habitual que “assegurou a quantidade de memória necessária” para cumprir as projeções de vendas de PS5 neste período. Num mercado em que fabricantes de chips mandam no calendário e nos preços, isto significa contratos fechados e menos exposição à volatilidade da RAM. A jogada é semelhante ao que temos visto noutros gigantes, desde a Apple a quem já anda a acumular inventário de memória, até fabricantes Android que admitem subir preços por causa da RAM. A Sony prefere sinalizar controlo da situação antes que alguém pergunte se vai faltar consola em novembro.

O timing não é inocente. Grand Theft Auto 6 tem lançamento marcado para 19 de novembro e dificilmente haverá jogo com impacto maior nas vendas de hardware este ano. A Sony não disse se planeia voltar a subir o preço da PS5 nos próximos meses, mas o histórico não ajuda: a consola já ficou mais cara em várias regiões desde 2022, Europa incluída, e a marca mostrou pouco apetite para sacrificar margem. Se houver fila para comprar PS5 com GTA 6 na capa, o argumento da escassez de memória já está neutralizado. O do preço, nem por isso.

Apesar de toda esta confiança logística, as vendas de PS5 estão a abrandar. No primeiro trimestre do ano fiscal, a Sony vendeu 1,6 milhões de consolas, bem abaixo dos 2,5 milhões do mesmo período do ano passado. No trimestre anterior o tombo foi parecido. A empresa aponta o dedo a aumentos de preço ligados a tarifas nos EUA e a um facto difícil de contornar: a PS5 já tem seis anos. Desde o lançamento em junho de 2020, foram enviadas 95,3 milhões de unidades, um número forte, mas o ciclo de entusiasmo de hardware está claramente a entrar na fase descendente.

Curiosamente, o negócio está a render mais apesar de se venderem menos consolas. As receitas ficaram praticamente iguais às de há um ano, mas o lucro subiu 37 por cento para 54,1 mil milhões de ienes, cerca de 337 milhões de dólares, graças a reembolsos de tarifas nos EUA e à queda do iene nas taxas de câmbio. Como tantos outros grupos afetados por tarifas, a Sony guardou esse extra em vez de o devolver a quem pagou as consolas com sobrecusto. Quem esperava ver PS5 mais baratas em retalhistas como a Worten ou a FNAC pode continuar sentado.

Do lado do software, o cenário é misto. As vendas de jogos ficaram praticamente estáveis, com títulos de terceiros a subir e jogos first-party a caírem cerca de 900 mil unidades. Isso sugere que Saros, do estúdio Housemarque, terá ficado aquém do que a própria Sony esperava. Ainda assim, a base de utilizadores continua a crescer: os utilizadores mensais ativos na PlayStation subiram para 125 milhões, mais 2 milhões do que no ano anterior. Há menos gente a comprar consolas novas, mas muita gente presa ao ecossistema digital, subscrições incluídas. A memória física para produzir PS5 não vai faltar. A memória coletiva de que os aumentos de preço ficaram no bolso da Sony também não.

Fonte: Engadget

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