Gears of War: E-Day mexe no Horde e nos controlos, mas joga pelo seguro
O novo Horde Siege dá-lhe mais fôlego e mobilidade, mas o PvP continua preso ao velho culto da Gnasher. Para a Xbox, isto tem de ser mais que um conforto nostálgico.
O novo Horde Siege dá-lhe mais fôlego e mobilidade, mas o PvP continua preso ao velho culto da Gnasher. Para a Xbox, isto tem de ser mais que um conforto nostálgico.
Sete anos depois de Gears 5, a série volta a tentar justificar o estatuto de bandeira da Xbox com Gears of War: E-Day. O IGN passou cerca de 10 horas com o multijogador e a sensação é curiosa: isto é absolutamente Gears, mas com pequenas mudanças cirúrgicas que podem fazer a diferença para quem leva o online a sério.
A alteração mais radical está nos controlos, não nas armas. O famoso botão A deixa de ser o canivete suíço que fazia tudo e passa a servir apenas para entrar e mover em cobertura. O sprint muda para o clique no analógico esquerdo e a tecla Y fica dedicada a saltar e a fazer vault. Traduzido: continuas a controlar armários de 120 kg com armadura, mas eles mexem-se com outra agilidade. Menos vezes em que carregas em A e a personagem faz o contrário do que querias. Mais liberdade para jogar com ângulos, subir pequenos desníveis e explorar a verticalidade dos mapas.
No Versus, o pacote é familiar até demais. Há Team Deathmatch com 15 reanimações partilhadas por equipa, há Conquest com pontos de controlo móveis e dois mapas clássicos na filosofia: Market e Outpost, simétricos, cheios de corredores curtos, linhas de visão controladas e cobertura por todo o lado. O problema é que o meta continua colado à mesma velha receita, a Gnasher de caçadeira na mão, corridinha, slide para a cobertura e hip-fire à queima-roupa. Funciona, continua a ser satisfatório encaixar aquele disparo perfeito, mas a fórmula já não surpreende ninguém em 2026, sobretudo quando o shooter competitivo em PC e consola está saturado de alternativas mais frescas.
Onde E-Day realmente arrisca é em Horde Siege, a nova variação PvE do modo que a série inventou em Gears 2. Em vez de uma arena fechada, ficas largado em Kalona, a cidade em ruínas do modo história, com três equipas de quatro jogadores a partilhar o mesmo mapa. Cada grupo tem o seu ponto de partida, os seus R.I.G.s para defender e objetivos opcionais espalhados pelo cenário. Antes de começar a defesa principal, podes andar pelo mapa a destruir infraestruturas dos Locust para ganhar moeda e recompensas que fortalecem a tua posição. Quando activas a onda, ficas ali preso até limpar tudo, sem rede.
Há três variantes de missão: Blitz, com um único objetivo e três vagas de inimigos; Siege normal, com três objetivos e três vagas em cada; e uma versão mais clássica de Horde, focada num só ponto. A jogada interessante é que tudo isto decorre em paralelo entre as três equipas. Não é um battle royale encapotado, mas cria aquela tensão de estar a correr contra o relógio e contra outros humanos, não só contra a IA. Se resultar, pode ser a identidade online que a série tem andado a procurar desde o boom inicial do Horde. Se não resultar, E-Day arrisca-se a ser mais um exclusivo que vive dois meses no Game Pass e desaparece.
Para a Xbox, que ainda digere temas como o recente apagão global das licenças digitais, E-Day não é apenas mais um shooter. É um teste de confiança à marca Gears. As mudanças nos controlos mostram atenção ao detalhe que faltou noutras entradas, e Horde Siege tem cabeça para prender grupos de amigos fim-de-semana após fim-de-semana. Fica a questão que a beta ainda não responde: se o PvP vai conseguir evoluir o suficiente para competir por tempo de antena num calendário onde até os nichos duros como Escape From Tarkov já começam a escorregar com atrasos de seasons.
Fonte: IGN.com
Comentários · 0