Escape From Tarkov adia seasons e wipe para 3 de agosto
O primeiro grande patch pós-lançamento escorrega uns dias, mas traz seasons opcionais, novo sistema de tarefas e uma comunidade bem dividida sobre o fim dos wipes obrigatórios.
O primeiro grande patch pós-lançamento escorrega uns dias, mas traz seasons opcionais, novo sistema de tarefas e uma comunidade bem dividida sobre o fim dos wipes obrigatórios.
Escape From Tarkov continua fiel à sua própria tradição: nada chega quando estava prometido. A Battlestate Games voltou a carregar no travão e adiou o primeiro grande wipe pós-lançamento e o novo sistema de seasons Kord Breach, que estavam apontados a julho, para 3 de agosto. O diretor do jogo, Nikita Buyanov, confirmou nas redes sociais que a atualização 1.1.0.0 escapa por poucos dias à janela original, mas chega ainda no início do mês.
O adiamento traz um efeito colateral imediato: o evento in-game Blackout, que já vinha a arrastar-se, volta a ser estendido por tempo indefinido. Para quem anda a perseguir a conquista exclusiva associada ao evento isto é boas notícias, há mais tempo para fechar objetivos. Para quem está farto do estado atual dos servidores e só quer um ponto de viragem com o patch grande, é mais uma semana de espera num jogo que vive precisamente da sensação de ciclo e renovação.
O centro da discussão não é o atraso de poucos dias, é aquilo que a atualização muda na estrutura de Tarkov. O sistema Kord Breach introduz seasons formais: crias um personagem novo para a temporada, atribuis-lhe bónus específicos em certas áreas, mas és obrigado a aceitar também desvantagens para compensar. Para quem adorava o ritual do wipe total na beta, isto é a forma “oficial” de repetir a corrida do zero sem que o estúdio apague o progresso de toda a gente a cada ciclo.
Aqui entra a parte polémica: o wipe clássico deixa de ser obrigatório. Quem quiser, lança o tal personagem sazonal. Quem não estiver para largar o PMC principal do lançamento pode simplesmente ignorar a season e continuar a acumular progresso como se nada fosse. A comunidade está partida ao meio por um motivo simples. Separar jogadores sazonais e permanentes tende a fragmentar a base de jogadores, o que pode traduzir-se em tempos de matchmaking mais longos e lobbies com MMR mais errático. Num jogo tão dependente de encontros rápidos e de loot contestado, esse detalhe não é menor.
Em troca, a Battlestate promete um patch com peso de “wipe clássico”. Há novas armas, mais opções de personalização e um conjunto de melhorias de qualidade de vida que o jogo precisava há demasiado tempo. O destaque é o rework ao sistema de tarefas, historicamente confuso e mal explicado. O estúdio fala em objetivos mais claros e um reequilíbrio das missões existentes. Se for bem executado, este redesenho vale mais do que qualquer arma nova, porque mexe diretamente na forma como o grind diário se sente para quem joga horas seguidas.
No papel, Kord Breach tenta resolver uma tensão antiga nos jogos de extração e looter shooters: como agradar a quem quer resets regulares sem alienar quem investiu centenas de horas num só personagem. A Battlestate escolheu o meio-termo mais arriscado, seasons opcionais em cima de progressão permanente. Em agosto percebe-se se Tarkov consegue sobreviver com dois ritmos de jogo a viver no mesmo cliente, ou se este compromisso acaba por ser mais uma camada de atrito num título que já exige bastante paciência de quem insiste em entrar no raid seguinte.
Fonte: Forbes
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